Neste ano da graça de 2026, a governadora Fátima Bezerra só coleciona perdas políticas.
Primeiro, viu a senadora Zenaide Maia, do PSD, desembarcar no projeto de Allyson Bezerra. Depois, perdeu o vice-governador Walter Alves, que levou o MDB para o mesmo palanque. Duas baixas de peso em favor do principal adversário de Cadu Xavier.
A saída de Walter produziu outro efeito político: tirou de Fátima as condições de deixar o governo para disputar uma vaga no Senado.
Agora, a governadora perde Ezequiel Ferreira de Souza. Depois de meses de conversas e especulações, o presidente da Assembleia Legislativa decidiu subir no palanque de Álvaro Dias, aproximando-se do projeto liderado por Rogério Marinho, principal referência do bolsonarismo no Rio Grande do Norte.
A decisão veio na reta final, às vésperas das convenções partidárias.
E talvez doa mais pelo que aconteceu nos bastidores.
Fátima fez o possível para segurar Ezequiel. Ofereceu a segunda vaga para o Senado, a indicação do vice-governador e ainda acenou com apoio ao nome que ele indicasse para sucedê-lo na presidência da Assembleia.
Nem esse combo foi suficiente.
Ao escolher o outro lado, Ezequiel passa um recado que a política entende rapidamente: abandonam-se governos quando deixam de representar perspectiva de poder.
O café esfriou para Fátima Bezerra.
As derrotas sucessivas na montagem de uma aliança que alcançasse o centro e a centro-direita talvez sejam o retrato mais fiel de um governo que perdeu capacidade de atração.
Não deixa de ser simbólico que um aliado que passou sete anos e meio ocupando espaços e indicando cargos na administração petista tenha decidido desembarcar justamente na eleição do sucessor de Fátima.
Agora, resta à governadora juntar os cacos da base política e se agarrar à federação de esquerda.
Fátima sabe que nunca venceu uma eleição majoritária apenas com a esquerda. Sempre precisou atrair o centro, em todos os seus tons de cinza.
Desta vez, porém, chega à sucessão estadual mais isolada politicamente. Sem o centro, resta apostar quase todas as fichas na força eleitoral de Lula.
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