
Styvenson Valentim foi eleito senador em 2018 como um verdadeiro outsider. O capitão da Polícia Militar derrotou de uma vez só dois ex-governadores: Garibaldi Filho e Geraldo Melo. Foi eleito como símbolo do “novo”, com um discurso contra os vícios comuns da política. A intolerância é explícita em suas falas, assim como a arrogância de quem faz questão de repetir aos aliados: “Não pedi o voto de ninguém pra chegar até aqui”.
Com o tempo, no entanto, Styvenson passou a ser visto sob outra ótica. A narrativa de que o senador faria “amarração” por si perdeu sua força. Teria nascido um Styvenson mais político, tanto que em apenas sete anos de vida pública já está em seu terceiro partido. Da Rede foi para o Podemos e depois para o PSDB, o que contraria os tucanos ao votar contra a liderança no Senado Federal. Além disso, passou a utilizar com mais abertura emendas parlamentares, fortalecendo sua relação com os prefeitos — o que antes rejeitava fortemente.
De repente, Styvenson emite sinais conflitantes. Isolado politicamente, seu nome passou a circular como possível vice em novas políticas, levando à crença de que o senador seria temperamental e intolerante. Recentemente, recebeu a deputada estadual Terezinha Maia (PL) sem papas na sua residência oficial, gerando questionamentos. Como militar, ele exercia função de disciplina no quartel. Poucos dias após isso, disparou contra o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União). O motivo? Styvenson não teria sido informado previamente pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de uma atividade pública.
Nos bastidores, adversários políticos e o senador Chico Rodrigues (União-RR) o enxergam como alguém isolado e difícil de dialogar.
Portanto, à diferença de 2018, o senador que venceu com 26% em um turbilhão de movimentos antipolítica hoje enfrenta um adversário silencioso, mas poderoso: ele mesmo.
Heitor Gregório




Agripino e Garibaldi, duas raposas passadas na casca do alho, vestiram os pijamas. Imagina esse papangú travestido de paladino da ética?!