No debate da Band RN, Cadu Xavier (PT) adotou como uma de suas estratégias associar Allyson Bezerra a Robinson Faria, chegando a utilizar a expressão “Allyson de Robinson Faria”. O petista explorou a péssima gestão do ex-governador para atingir o adversário. A estratégia foi registrada na cobertura do debate.
Mas a política tem memória. Em 2014, Robinson chegou ao Governo do Rio Grande do Norte numa coligação que tinha o PT e recebeu apoio público de Lula. O próprio Robinson, depois de eleito, afirmou que o apoio de Lula havia sido fundamental para sua vitória. Fátima Bezerra também estava naquela coligação e foi eleita senadora no mesmo pleito.
É justamente aí que surge a questão da coerência política. Hoje existe o “Cadu de Lula”, que critica Allyson por ter Robinson como aliado e usa o governo Robinson como munição eleitoral. Mas, quando Robinson chegou ao Governo em 2014, havia também, politicamente falando, um “Robinson de Lula”, respaldado pelo PT potiguar e beneficiado por uma declaração explícita de apoio do próprio Lula.
Cadu tem todo o direito de criticar a gestão de Robinson Faria. O que não pode ser apagado da história é que o mesmo grupo político ao qual Cadu pertence esteve ao lado de Robinson quando ele chegou ao Governo. A pergunta, portanto, cabe no debate político: se Robinson é hoje tão ruim para servir de aliado de Allyson, por que foi bom o suficiente para receber o apoio do PT e de Lula em 2014? É somente uma pergunta.




