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Mederi: Operação da PF é o “calo” de Allyson; eleitor desconfia e ele pode despencar

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Ficou claro no primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, promovido pela Band Natal, que a Operação Mederi será tema recorrente da campanha eleitoral deste ano. Os adversários de Allyson Bezerra (União Brasil), que é o principal investigado pela Polícia Federal, vão explorar o escândalo de desvio de recursos da saúde pública de Mossoró.

O ex-prefeito, que é apontado pela PF no “topo” do esquema criminoso, mostrou-se desconfortável quando o tema foi explorado pelos adversários. Allyson não teve respostas para perguntas feitas principalmente por Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT) e passou grande parte do debate tentando se esquivar do tema.

Álvaro Dias foi o primeiro a explorar a Operação Mederi ao perguntar: “Candidato Allyson, por que você não entregou as senhas dos seus celulares que foram apreendidos pela Polícia Federal durante o mandado de busca e apreensão em sua residência?”

Allyson não respondeu à pergunta, limitando-se a afirmar que é inocente. Álvaro, por sua vez, insistiu: “Responda, candidato, por que você negou as senhas pedidas pela Polícia Federal?” Sentindo-se acuado, o ex-prefeito de Mossoró encontrou uma saída ao desafiar os adversários: “Se a Polícia Federal não encontrar nada nos meus celulares, os senhores retiram as suas candidaturas?” Álvaro e Cadu deram o silêncio como resposta.

Na prática, o desafio de Allyson Bezerra não funciona, uma vez que é pouco provável que a Polícia Federal se manifeste sobre a Operação Mederi durante a campanha eleitoral. A única possibilidade de a PF ou a Justiça Federal se posicionar no decorrer das eleições é se houver um fato novo que exija uma decisão urgente.

Cadu Xavier percebeu o desconforto de Allyson com a Operação Mederi e provocou sempre que tinha a palavra. “Sou ficha limpa, nunca tive a Polícia Federal na minha porta”, atiçou de olhos fixos em Allyson Bezerra. “Pra mim, a política vale para mudar a vida das pessoas, e não para mudar a vida dos políticos”, completou.

A operação

A Operação Mederi é uma investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrada em 27 de janeiro de 2026. Ela apura um esquema de desvio de recursos públicos da saúde, superfaturamento e fraudes em licitações em municípios do Rio Grande do Norte, com base em Mossoró.

O ex-prefeito Allyson Bezerra foi alvo de mandado de busca e apreensão. A Polícia Federal apreendeu dois celulares, aparelhos eletrônicos, entre outros materiais. Na decisão do desembargador Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), com sede em Recife, Allyson é apontado como principal investigado.

No documento que autorizou a operação da Polícia Federal, Allyson é citado como no “topo da organização” e que havia se beneficiado com propina de 15% dos contratos de compra de medicamentos não entregues por meio da empresa DisMed Distribuidora. Allyson nega e afirma inocência.

Até aqui, a Polícia Federal já rastreou cerca de R$ 146 milhões em contratos e identificou mais de R$ 12 milhões sacados em espécie. O esquema era sustentado por meio de contratos fraudulentos com empresas fornecedoras de medicamentos, como a DisMed. Segundo a PF, os recursos desviados da saúde eram utilizados para pagamento de propinas. Além de 15% para Allyson, conforme consta na decisão da Justiça, outra pessoa identificada como “Fátima” recebia 10%.

Sete suspeitos seguem monitorados por tornozeleiras eletrônicas. Eles também tiveram contas bancárias e bens bloqueados por decisão da Justiça Federal.

defato.com

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