
Em uma entrevista exclusiva ao Agora RN, Geraldo Melo afirmou que quer focar na discussão sobre segurança, mas sem fugir do debate de questões importantes, como a reforma previdenciária, tributária, da saúde e da educação. “O Brasil é um país que precisa ter humildade de reconhecer os equívocos que cometeu. E, dentro disso, está o conjunto de ideias de que levo”, avaliou. Confira a entrevista completa:
AGORA RN: O que motivou o senhor a voltar ao cenário político e ser novamente candidato, desta vez, provavelmente, ao Senado Federal?
GERALDO MELO: Sou um cidadão brasileiro que vive, intensamente, o momento atual do meu país. A sociedade está mobilizada para encerrar um ciclo triste da vida pública nacional e reconstruir o país. Tudo que desejo é participar dessa reconstrução. Não é obrigado ser com candidatura nenhuma. Agora, se eu puder participar com um mandato e puder escolher, prefiro como senador. Embora eu não recuse nenhuma missão que a sociedade me dê. Não pretendo ensinar ninguém a fazer isso. Acho que o comando do Brasil não deve ser entregue mais a minha geração. Precisa ser entregue às novas gerações que aí estão. E não quero ser professor das novas gerações. Quero ser colaborador delas, oferecendo a elas minha experiência.
AGORA: O senhor já começou a andar pelo estado. Como as pessoas têm lhe recebido?
GM: Confesso que estou surpreso com a grande acolhida que estou tendo por parte da população. É uma manifestação carinhosa generalizada e de grande confiança. Não esperava que alguém que estava afastado da vida política, sem mandato e, até um dia desses, sem partido, pudesse ter a situação que estou encontrando.
AGORA: O senhor é uma opção para os eleitores, que terão neste ano, novamente, as candidaturas à reeleição de Garibaldi Filho e José Agripino, que são amigos do senhor. Como pretende fazer campanha sem entrar em atrito com essas duas opções?
GM: Se o partido me transformar em candidato, pretendo fazer a minha campanha e espero que cada um faça a sua. Não estou interessado em fazer campanha a respeito de candidato A ou B que possa estar competindo comigo. Quero fazer campanha a respeito do nosso país e do nosso estado.
AGORA: Quais são as principais propostas que o senhor pretende levar ao Senado?
GM: Há umas que são óbvias, por exemplo, a segurança pública. Tenho uma experiência conhecida nessa matéria, mas não pretendo dizer o que deve ser feito. Primeiro, eu não sou especialista. Sou como alguém dizia no passado: “especialista em ideias gerais”. Uma pessoa que conhece um pouco do assunto e reconhecer que essa é uma prioridade nacional e uma emergência que precisa ser encarada pelo Congresso.
AGORA: Com relação à pauta nacional, qual a posição do senhor em relação às reformas previdenciária e tributária?
GM: Eu nunca fiz segredo sobre essa posição. Primeiro, acho que a estrutura tributária do Brasil é ridícula. Um país que tem a pretensão de ser um grande protagonista na economia mundial – e pode ser – precisa primeiro pensar em competitividade. O Brasil precisa ser capaz de competir com os outros. Enquanto no EUA se compra um veículo por 20 mil dólares e chega no Brasil por 70 mil, porque 30, 40 mil é imposto, você não vai poder competir. Reforma tributária: acho que não existe ninguém no país que não concorde que a reforma precisa ser feita e é urgente. Agora, isso não quer dizer que eu vou tirar do bolso uma fórmula dizendo que essa deve ser a reforma tributária. Acho que isso é um tema que deve ser levado à tribuna do Senado com toda energia necessária e com mobilização para que se possa comparar a economia do Brasil com a do resto do mundo.
AGORA: E a reforma da Previdência?
GM: É indiscutível que a Previdência ser reformada. Isso não quer dizer que a proposta mandada ao Congresso é a melhor. É preciso reformar bem, a Previdência precisa renascer. Ser recriada. Passar a ter um mecanismo de seguro social em que a população confie e tanto o contribuinte possa pagar quanto ela possa pagar o contribuinte. Não sou contra nem a favor da reforma que está no Congresso, mas é preciso aprovar a melhor reforma.
AGORA: O senhor defende discussões sobre outros temas?
GM: A questão da saúde pública e da educação também precisam ser discutidas. Na educação, por exemplo, o país gasta a maior parte dos seus recursos com educação universitária e quase nada com a fundamental. É um país que precisa ter humildade de reconhecer os equívocos que cometeu. E, dentro disso, está o conjunto de ideias que levo.
AGORA: O senhor foi político, teve um mandato no Governo e no Senado em outros tempos, quando não existia tanta rede social. Hoje é mais fácil ou está mais difícil ser político?
GM: São momentos completamente diferentes, mas acho que a sociedade ganhou com a tecnologia um acesso muito maior às informações básicas e uma possibilidade maior de acelerar a sua intervenção. Então, a sociedade toma conhecimento hoje rapidamente do que está acontecendo, só não toma quem não quer, e pode agir. Então, acho que isso aumenta muito a pressão e a responsabilidade sobre o político e aumenta a transparência da classe política com a sociedade. Graças a isso, se começou a mostrar a realidade da vida política brasileira. E sobre isso eu faço uma reflexão: está todo mundo falando mal de político, embora seja uma injustiça também você generalizar, mas o que está acontecendo é que os ladrões estão sendo candidatos e o povo está votando neles. Se o povo não votasse neles, não iria para o Congresso, para o Governo, para qualquer canto. Agora, se é ladrão e o povo vota, é que está estabelecida uma situação que precisa mudar, e acho que isso a sociedade brasileira irá fazer. Por cima de todas as transformações que já foram feitas, pelo trabalho extraordinário que o MP, que a Justiça e que a Polícia Federal têm feito, é preciso corrigir os excessos que afetem, eventualmente, essas instituições. Mas é preciso, realmente, contribuir um Brasil novo para todos nós.
Agora RN
