A oscilação de Styvenson Valentim (Podemos) nas pesquisas para o Senado pode ter uma explicação que vai além dos números. O cenário de 2026 é completamente diferente daquele encontrado pelo senador quando disputou e venceu sua primeira eleição. Ele era apenas conhecido como “o homem da lei seca”. O cenário mudou. Zenaide Maia aparece mais próxima em alguns levantamentos, enquanto Samanda de Lula, Rafael Motta e outros concorrentes tentam reduzir a distância.
Na primeira campanha, Styvenson adotou praticamente o modelo do “eu sozinho”. Evitou compromissos tradicionais com grupos políticos, manteve distância de muitas lideranças e da própria mídia e apostou diretamente na sua imagem junto ao eleitor. Deu certo. Agora, porém, repetir a fórmula não parece tão simples.
O senador chega à campanha com milhões de reais em recursos eleitorais absolutamente legais e previstos na legislação. O Blogue do Xerife não questiona a legalidade de um centavo sequer desses recursos. A questão é política: dinheiro em caixa também aumenta a cobrança sobre quem o recebe.
Prefeitos, vereadores e demais lideranças que participam de uma campanha também precisam montar estruturas, produzir material e colocar equipes nas ruas. Com um fundo milionário à disposição, Styvenson passa a enfrentar uma realidade que praticamente não existia em sua primeira eleição: a pressão pela divisão dos recursos e pelo fortalecimento das bases que trabalham por sua candidatura.
E os adversários também terão dinheiro. Rafael Motta já dispõe de uma estrutura financeira robusta, enquanto Zenaide Maia e Samanda de Lula igualmente contam com partidos capazes de financiar suas campanhas. A eleição, portanto, tende a ficar mais equilibrada também no aspecto financeiro.
É aí que mora o problema para Styvenson: ou constrói uma campanha mais compartilhada com suas bases políticas, inclusive na distribuição da estrutura disponível, ou poderá assistir a lideranças procurando outros caminhos. O modelo isolado que funcionou no passado enfrenta agora uma campanha profissionalizada, milionária e muito mais disputada.
A quantidade de eleitores ainda indecisos reforça essa leitura. E a indefinição não estaria apenas entre eleitores. Nos bastidores, há também lideranças observando para onde a campanha vai caminhar antes de fechar definitivamente suas posições.




