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Prefeitura de Bodó teria servido de porta de entrada para bets ilegais que movimentaram R$ 50 bilhões

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  • Investigação aponta que autarquia criada em Bodó credenciou dezenas de plataformas de apostas sem autorização federal.

Uma pequena cidade do Seridó potiguar, com pouco mais de 2 mil habitantes, acabou no centro de uma investigação que apura um dos maiores esquemas de exploração irregular de apostas online do país. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), uma autarquia criada pela Prefeitura de Bodó foi usada para dar aparência de legalidade a dezenas de plataformas de apostas que operavam sem autorização federal.

As suspeitas vieram à tona durante a Operação Conto da Sorte, deflagrada pelos Ministérios Públicos do RN e de Pernambuco, com apoio da Receita Federal.

De acordo com as investigações, pelo menos 37 plataformas de apostas teriam movimentado cerca de R$ 50 bilhões por meio do esquema.

O que é a LotSeridó?

O foco da investigação é a LotSeridó, autarquia vinculada à Prefeitura de Bodó e criada para atuar no setor de apostas.

Segundo o promotor Augusto Lima, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o órgão funcionava apenas formalmente e servia como uma espécie de “carimbo” para empresas de apostas espalhadas pelo Brasil. 

” Bets do Brasil todo, de forma irregular, foram credenciadas naquela prefeitura e saíram explorando apostas de forma irregular, de forma irresponsável e sem autorização dos órgãos responsáveis”, afirmou o promotor durante coletiva de imprensa.

A LotSeridó foi encerrada em outubro de 2025.

No entanto, segundo os investigadores, as empresas credenciadas continuaram funcionando normalmente, mesmo sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), órgão do Ministério da Fazenda responsável por regular o setor.

Foi justamente essa continuidade das operações que reforçou as suspeitas de irregularidades.

Além da exploração irregular de apostas, a investigação também apura outros crimes.

Entre eles:

  • Lavagem d dinheiro e
  • Sonegação fiscal;
  • Ocultação patrimonial;
  • Falta de repasse de tributos obrigatórios;
  • Uso de empresas para movimentações financeiras suspeitas.

Os investigadores identificaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos e indícios de aquisição de imóveis para ocultar recursos.

Outro ponto investigado é a ausência dos repasses previstos na Lei nº 13.756/2023, que regulamenta a atividade de apostas no Brasil.

A Operação Conto da Sorte cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo.

Os materiais recolhidos serão analisados para identificar a dimensão real do esquema e o volume financeiro movimentado pelas empresas.

A investigação segue em andamento e não estão descartadas novas fases da operação.

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