O impasse envolvendo o orçamento de Martins é apenas mais um capítulo de uma relação política desgastada entre o prefeito César Móveis (PSB) e a Câmara Municipal. Informações de bastidores que chegam ao Blogue do Xerife apontam que as dificuldades de diálogo entre o Executivo e a maioria dos vereadores não são de agora e vêm acompanhando a gestão municipal.
César Móveis, conhecido como o “Doido”, administra sem maioria confortável no Legislativo. Segundo esses relatos de bastidores, vereadores que fazem oposição ao prefeito reclamam principalmente da maneira como são tratados pelo gestor e de sua postura considerada temperamental no relacionamento com a Câmara.
Agora, essa velha celeuma chegou diretamente ao orçamento. Para 2026, a Prefeitura pediu autorização para remanejar até 30% das dotações, mas a Câmara autorizou 10%. Depois de consumir essa margem, o Executivo apresentou em 12 de agosto uma proposta para ampliar o limite para 25%. O pedido foi rejeitado pelos vereadores em 11 de setembro.
César sustenta que dinheiro existe, mas que, sem autorização para remanejá-lo entre as dotações, determinadas despesas podem ficar comprometidas. Segundo a Prefeitura, o impasse pode alcançar saúde, educação, limpeza urbana e outras atividades municipais.
Mas há também o outro lado dessa briga: cabe à Câmara fiscalizar o Executivo e decidir sobre as autorizações orçamentárias submetidas pelo prefeito. O próprio Legislativo define entre suas funções a fiscalização dos atos da administração municipal.
Nos bastidores, portanto, a leitura é de que o problema deixou há muito tempo de ser apenas contábil. O relacionamento político ruim entre César Móveis, o Doido, e parte da Câmara estaria cobrando seu preço. O prefeito cobra que os vereadores liberem o remanejamento; seus críticos, por sua vez, questionam sua condução política.
Se Executivo e Legislativo não encontrarem um canal de diálogo, quem corre o risco de ficar no meio dessa queda de braço é a população de Martins.




