Vou revelar uma conversa que tive com o inesquecível Padre Tércio, então diretor da Rádio Rural de Caicó. Certo dia, ele me chamou à sua sala para dar uma notícia nada animadora: segundo uma pesquisa de audiência, o meu Programa do Xerife da Cidade ocupava o último lugar entre todos os programas da emissora.
Confesso que saí de lá decepcionado. Mas havia algo que não fechava nessa conta. Eu andava pelas ruas de Caicó, visitava feiras, repartições, comércios e eventos, e as pessoas repetiam exatamente aquilo que eu havia comentado no programa. Citavam minhas opiniões, minhas denúncias, minhas brincadeiras. Eu pensava: “Como posso ser o último colocado se todo mundo sabe o que eu disse no rádio?”
Resolvi tirar a dúvida. Contratei, por conta própria, um grupo de pesquisadores ligados à Universidade Federal do Rio Grande do Norte para realizar um levantamento durante o horário em que o programa estava no ar. A pergunta era simples: “Que rádio você está ouvindo neste momento?”
O resultado foi uma surpresa apenas para quem acreditava na pesquisa anterior. A maioria dos entrevistados respondeu que estava ouvindo o Programa do Xerife da Cidade.
Foi então que descobri a explicação mais engraçada de toda essa história.
Quando participavam das pesquisas tradicionais, muita gente escondia que ouvia meu programa. E, quando perguntados por quê, a resposta vinha carregada do humor típico do seridoense:
“Porque ele é besta.”
Na verdade, “besta” ali não era ofensa. Era quase um elogio. Era o jeito bem-humorado de definir um programa irreverente, provocador, que dizia o que muita gente pensava, mas nem sempre tinha coragem de dizer.
No fim das contas, o programa que aparecia em último lugar nas pesquisas era, na prática, um dos mais comentados da cidade. Descobri, naquela época, que nem sempre audiência se mede apenas por formulários. Às vezes, ela está nas conversas de calçada, nas mesas de bar, nas feiras livres e nas esquinas.
Ao longo da minha trajetória — passando pela Rádio Rural, Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Cabugi e outros veículos de comunicação — aprendi uma lição que nunca esqueci: a credibilidade e a influência nem sempre aparecem nos números. Muitas vezes, aparecem na boca do povo.
E, se até hoje alguém ainda perguntar por que tanta gente acompanhava o programa e dizia que não ouvia, a resposta continua sendo a mesma:
Porque ele é besta.
“Às vezes, esse perfil ou essa história se confunde com a do Blog do Xerife.” Inté.





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Leio seu blog todos os dias
Robson, você sabe que tem muitos leitores e na Rádio Rural era o melhor. No meio artístico, há muita gente invejosa e isto prejudica muito quem tem audiência. Abraço.
Sou um caicoense que atualmente reside em Natal e sou um grande fã do seu trabalho. Acompanhei seu programa na Rádio Rural de Caicó por muitos anos e agora sigo seu blog diariamente. Parabéns pelo excelente trabalho!