Política

PF conclui quebra de criptografia de 32 telefones apreendidos na Operação Mederi, menos 3

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Investigadores da Polícia Federal oficiaram o gabinete do desembargador Rogério Fialho que a criptografia de 32 aparelhos telefônicos apreendidos na Operação Mederi foi quebrada. A PF conseguiu acessar os dados dos telefones dos prefeitos envolvidos no caso, incluindo os 2 aparelhos do ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra. Todo o conteúdo está sob análise. Apenas três aparelhos não tiveram a criptografia quebrada: os de Almir Mariano e Marcos Medeiros.

Ambos são homens da confiança do ex-prefeito Allyson Bezerra e ocuparam postos de comando na Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró. No dia da Operação Mederi, Almir teve R$ 57 mil apreendidos em dinheiro vivo na sua casa. Em resposta à petição da PF, o desembargador Rogério Fialho determinou que se proceda à renovação da tentativa da quebra de criptografia.

Um terceiro telefone também não teve a criptografia quebrada. Ele pertence a uma mulher que, até agora, não apareceu no material da PF a que por essa razão o nome foi preservado.

Desdobramentos da quebra de criptografia

Conforme apurou o Blog do Dina, a PF agora está analisando o conjunto de dados desses aparelhos sob duas óticas: evidências que reforcem as acusações já documentadas até aqui na Operação Mederi; evidências do cometimento de outros crimes praticados pelos alvos da ação.

Um telefone em especial, nesse sentido, é motivo de temor: o aparelho de Sidney Carlo de Melo. Lobista, Sidney é detentor de relações tão nucleares quanto as conversas gravadas no escritório da Dismed. A diferença até aqui é que não tínhamos conhecimento de quais conversas ele mantinha em seu aparelho. Agora, a depender de até onde a PF chegou, o telefone dele pode ser um hub do qual podem partir múltiplas evidências de possíveis crimes envolvendo ainda mais prefeituras.

Próximos passos da PF

Com a determinação do desembargador Rogério Fialho, a PF poderá peticionar para que os telefones que não tiveram a criptografia quebrada possam ser submetidos aos serviços avançados da israelense Cellebrite. A empresa mantem contrato com o Governo Federal para a PF. Mas ela fornece níveis de acesso para investigações. Foi através dos níveis avançados da Cellebrite que a PF conseguiu acessar todo o conteúdo dos oito aparelhos do banqueiro Daniel Vorcaro.

A avaliação agora é política, isto é, se a magnitude desse caso vai fazer com que a PF local consiga incluir os telefones ainda não acessados em pedidos de acesso mais avançados da Cellebrite. A Polícia Federal tem contrato com a Cellebrite que já somam R$ 23 milhões em pagamentos pelo uso da ferramenta.

Por fim, pessoas familiarizadas com o caso lembram que quando a PF consegue acessar a íntegra de aparelhos, o conteúdo que encontra nela costuma desencadear novas operações. O próprio caso do Banco Master é um exemplo. Foi a partir do conteúdo acessado nos aparelhos de Vorcaro, que houve as operações contra o senador Ciro Nogueira e contra o pai do próprio Vorcaro.

Blog do Dina

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