Kelps Lima decidiu entrar naquela que é considerada por muitos a chapa mais complicada das eleições de 2026 para deputado federal no Rio Grande do Norte. Sem mandato, ele terá pela frente três pesos pesados da política potiguar: João Maia, Robinson Faria e Benes Leocádio, que foram os deputados federais mais votados em 2022, atrás apenas de Natália Bonavides.
O problema é que, enquanto Kelps acredita que está desgastando os seus concorrentes dentro da própria federação, os três adversários também estão em campo e promovendo o contra-ataque. Nos bastidores, já existe uma movimentação para recompor apoios municipais e recuperar prefeitos que, em algum momento, haviam sido procurados ou negociados por Kelps.
Além disso, a crise interna pode ter reflexos em outro aspecto importante da campanha: a distribuição dos recursos do fundo eleitoral. Entre aliados dos atuais deputados, a avaliação é simples: como justificar a destinação de recursos para um candidato que faz ataques públicos aos próprios dirigentes e companheiros da federação? João Maia, por exemplo, preside o PP no Rio Grande do Norte e exerce influência dentro da aliança partidária.
Assim, o cenário pode acabar produzindo um efeito contrário ao esperado por Kelps. Em vez de retirar uma vaga de João Maia, Robinson Faria ou Benes Leocádio, como deseja, existe o risco de que os três consigam se reeleger e que o próprio Kelps seja o maior prejudicado pela guerra que resolveu travar dentro de casa.
Na política, ataques têm resposta. E, pelo que se observa, o jogo começou a ter devolução. Enquanto Kelps dispara, os seus adversários também se movimentam. E a conta dessa briga poderá ser apresentada nas urnas de 2026.



