Violência política: esquerda e direita

Há semelhanças entre o assassinato da vereadora Marielle Franco no dia 14 de março e os tiros disparados contra o acampamento de partidários do ex-presidente Lula na madrugada de sábado, no dia 28.

O episódio do último sábado é menos grave porque não houve mortos. Também não teve o grau de planejamento do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes. Mas os dois acontecimentos são atentados que refletem um crescimento da intolerância no debate público e do incentivo ao ódio como arma política.

Nos dois episódios, houve tentativa de culpar as vítimas, como se o trabalho de Marielle a favor dos direitos humanos e contra a violência policial fosse uma provocação que levou à sua morte. No caso do acampamento, foram comuns os comentários de que não teria acontecido se aquelas pessoas não estivessem ali por perto, protestando a favor do ex-presidente Lula.

Ora, essas pessoas estão exercendo um direito democrático de manifestação e negociaram com as autoridades do Paraná a mudança do local onde passariam a noite. Se há incômodo dos moradores do local ou da própria Polícia Federal, é preciso negociar uma forma de o protesto gerar menos transtorno. Mas algum transtorno é da natureza dos protestos.

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