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Vídeo: Operação expõe rota milionária de desvio de medicamento controlado no RN

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A manhã desta quarta-feira (3) começou com uma ofensiva da Polícia Civil que mirou um dos esquemas mais sofisticados de desvio de medicamentos já identificados na rede pública do Rio Grande do Norte.

Documentos, dispositivos eletrônicos e movimentações financeiras tornaram-se peças centrais para desvendar como lotes de um hormônio altamente controlado desapareceram dos estoques oficiais.

O alvo da investigação é a somatropina — um medicamento caro, de distribuição restrita e vital para pacientes com indicações clínicas específicas. O produto, no entanto, vinha sendo desviado de forma sistemática, gerando prejuízo ao Estado e colocando em risco o acompanhamento de usuários regulares do sistema de saúde.

Como o caso veio à tona

O esquema passou a ser investigado a partir de uma comunicação formal da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), que notou irregularidades incomuns:

  • divergências em registros de estoque;
  • dispensações lançadas sem autorização dos responsáveis;
  • inconsistências que não eram reconhecidas pelos pacientes;
  • falhas na rastreabilidade do medicamento.

A partir dessas discrepâncias, o Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DECCOR/LD) iniciou a apuração que culminou na “Operação GH-404”.

O que a operação encontrou

Com mandados autorizados pela Justiça, os policiais reuniram uma série de materiais que reforçam a suspeita de desvio milionário:

  • computadores, celulares e documentos apreendidos;
  • extratos bancários que podem detalhar o fluxo financeiro do esquema;
  • afastamento cautelar de servidores lotados na UNICAT;
  • bloqueio de acesso às áreas sensíveis de controle de medicamentos.

A ação mobilizou equipes da Sesap, da UNICAT e da CORE, fortalecendo a estrutura de investigação.

Por que a somatropina é tão visada

A somatropina (GH) é um hormônio sintético utilizado apenas em casos clínicos específicos e autorizado pela Anvisa. Por ser cara e altamente controlada, tornou-se alvo comum de desvio e comércio ilegal, principalmente porque:

  • não pode ser usada para estética;
  • é proibida para fins de rejuvenescimento;
  • tem demanda clandestina para ganho de massa muscular;
  • possui valor elevado no mercado paralelo.

Por que a operação se chama GH-404

O nome escolhido para a ofensiva combina o termo “GH” — sigla de Growth Hormone — com o código “404”, usado para indicar erro ou item “não encontrado”.

A simbologia remete justamente às falhas de controle e às lacunas nos registros da rede pública.

Próximos passos

As diligências seguem em andamento e novas responsabilidades podem ser apontadas à medida que os dados apreendidos forem periciados.

A Polícia Civil informou que outras fases não estão descartadas.

Por BNews Natal

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