Notas

Viciados em cocaína buscam novas doses da droga para evitar a tristeza

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Primeiro, vem a euforia. A autoestima, então, se eleva, acompanhando a sensação de prazer intenso. Para completar, a sociabilidade vai às alturas: a pessoa torna-se falante, desembaraçada, cheia de energia para compartilhar com o grupo. Mas tudo isso tem prazo de validade. Passado o período de euforia ou de intoxicação, o lado sombrio da cocaína se apodera da mente e do corpo. Usuários descrevem o momento como um turbilhão de emoções negativas: ansiedade, paranoia, ataque de pânico, nervosismo, cansaço extremo, irritabilidade e medo. Os efeitos ruins só passam com a próxima dose e, cada vez mais, são necessários intervalos menores e quantidades maiores para satisfazer o usuário.

O ciclo do vício tem sido explicado, tradicionalmente, como uma busca pelas sensações positivas desencadeadas pela cocaína logo após o consumo. Essa percepção norteia as pesquisas que visam aprimorar os tratamentos para a dependência química. Depois de mais de uma década estudando o comportamento fisiológico do vício, contudo, o psiquiatra Mark West, professor da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey, oferece outra explicação. Em um artigo publicado na revista Psychopharmacology, ele defende que, antes de buscar na droga a explosão de alegria, os usuários recorrentes voltam à cocaína porque querem combater as sensações desagradáveis que seguem o período de intoxicação.

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