Notas

Receita de uma campanha corrupta. Confira

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Artigo da Roda Viva, no Novo Jornal

O Rio Grande do Norte pode estar oferecendo ao Brasil o melhor retrato da nova política brasileira, forjada no assembleísmo sindical, segmento que vem aumentando sua presença a cada dia e ocupando os principais postos. O conjunto de vídeos da vereadora sargento Regina “ficha suja” disponibiliza – do no Youtube não parece contaminado pela indução de algum corruptor, ou “pegadinha” de indução ao erro para afastar possível concorrente.

É uma confissão na sua mais pura acepção. Retrata uma reunião deliberativa, onde se planeja uma campanha eleitoral como poderia estar se planejando um assalto a um banco. Mesmo sem data do evento gravado, é evidente que se trata de uma reunião – com mais de uma dezena de participantes – onde se planeja uma campanha eleitoral no âmbito sindical, no caso Associação de Cabos e Sargentos da Polícia Militar.

É importante identificar a origem do projeto (projeto de uma candidatura a Deputado Estadual) da vereadora Mary Regina (PDT) retratado por ela, e sem merecer qualquer contestação ou reparo dos presentes, muito provavelmente integrantes da cúpula da entidade: “nós temos para esta campanha de 2010, 5.498 votos para negociar. É hora de negociação política. E na política só se conhece esse linguajar e essa maneira de agir. É chegar e negociar. Eu tenho tanto, me dê tanto, e acabou”.

Em vez de fomentar o bem comum, para esse grupo (e não, apenas, Regina) fazer política é fazer negócio. Toma lá dá cá. Voto é mercadoria e, dependendo do freguês precisa de pagamento antecipado: “Não da forma que Álvaro Dias (presidente do Partido) quer: bancar 50% de nossa campanha. Se for o caso, fazemos um acordo para ele pagar adiantado.

Tem a apresentação do orçamento (de R$ 700 mil) para a execução do projeto, não havendo limites (legal ou ético) nem na captação nem a aplicação dos recursos: “sem esse dinheiro é melhor não ir”. E mostra uma “folha de pagamento” de R$ 25 a 30 mil por mês “só para o pessoal do Interior. Depois veríamos o que fazer na capital”.

Trata-se de um tipo de conduta que justifica até uma “negociação financeira para mim porque eu tive um desgaste pessoal”. E ressalta que o acerto com o Presidente da Câmara, Dickson Nasser “não tem nada a ver com o meu gabinete. É um acordo para embolsar R$ 10 mil, mas, não é isso, fi ca três mil e poucos do imposto de renda. Só que não consegui fazer nada do que queria. Eu queria comprar um apartamento. Eu ia começar a pagar minhas contas, não consegui”.

É a banalização do por fora. Da bola, que se tenta coibir no comportamento de  agentes púlicos Distribui juízos sobre eventuais aliados: 1 – Zé Agripino: “Foi péssimo governador para a categoria, mas quem foi bom? Wilma tá sendo boa? Massacrar mais a Polícia do que Wilma fez desde 2003 pra cá”; 2 – Vereador Raniere Barbosa (PRB): “Um homem riquíssimo. Raniere é milionário, foi secretário de Carlos Eduardo, deve ter roubado o que quis  e o que não quis e o que deixou de querer”;  3 – George Câmara (PC do B): “Possui 30 indicações no Governo do estado. Tem o sindicato (dos Petroleiros) a favor dele, que praticamente elegeu ele. Não é nenhum coitadinho”.

Mais do que as confi ssões de uma política corrupta, as gravações de “Sargento Regina – ficha suja”, mostram o lado submerso da nova política, não na visão de um político aposentado ou de candidato desiludido e sem chances. Mas a concepção de um grupo organizado (com capital de 5.489 votos) que combate as famílias tradicionais para substituí-las por outra família, “a família da Polícia”. – A família da corporação.

O Youtube revela a lição de como essa “famiglia” se prepara para ampliar seus espaços, seguindo o mesmo modelo que consagrou o Caixa 2 como normal ( e assume o uso de “recursos não contabilizados”); usa dinheiro sem origem para comprar dossiê contra adversários; convive com a violação do sigilo fiscal de concorrentes ou do sigilo bancário de um caseiro incômodo e se defende customizando o ilícito e o ilegal porque “política é assim mesmo”.

Não é. Ou, pelo menos, não deveria ser. – Com a palavra o Ministério Público.E, também, a sociedade organizada. – Mary Regina é só uma célula de um mecanismo que cresce desordenadamente na passividade da maioria silenciosa e acomodada.

9 comentários em "Receita de uma campanha corrupta. Confira"

    chibata preta
    05/09/2010 às 10:26

    Inpaciente Xerife,

    Os articulistas do novo jornal cometem um erro crasso: O youtube não revela nenhuma novidade. Esse episódio é menos grave do que o famigerado escândalo rabo de palha protagonizado pelo senador José Agripino Maia há tanto tempo que não me recordo a data. Esse comércio clandestino de votos é do conhecimento dos Juizes, do Ministério Publico, da polícia Federal e somente agora chegou ao conhecimento da Polícia Militar através da nossa destemida sargento Regina(rsrsrsrsrsr). O que há de mais nisso? Se continuamos votando nessa sússia e fazendo de conta que é correto, somos todos coniventes.

    125373
    OBSERVADOR
    05/09/2010 às 10:34

    Que explanação! Nítida, clara, objetiva, no melhor do seu conteúdo.Essa sgt Regina é mais uma célula da corrupção na política do RN.
    Atenção!
    Diga NÃO a esses políticos sem escrúpulos e sem respeito ao eleitor!!

    125375
    OBSERVADOR
    05/09/2010 às 10:37

    VEJA A FRASE DO AUTOR: SABEDORIA POPULAR. ENCAIXA COMO UMA LUVA NESSA ESTÓRIA!!

    Não troque um dia de pão, por quatro anos de corrupção! Voto não tem Preço!! Tem consequência!!!
    Autor – Sabedoria Popular

    125376
    Carlos Martelo
    05/09/2010 às 12:48

    O artigo foi de uma clareza e sensatez muito grande.Mostra de forma nua e crua que até quem está aí para combater o erro,no caso a corporação referida,ja foi absorvida pelo mesmo sistema corrupto que deveria combater.NÓS TAMO TUDO É LASCADO MERMO!

    125395
    Haroldo
    05/09/2010 às 13:07

    Interessante. O articulista do Grande Jornal esqueceu das pancadas que sgto Regina deu no senador Zé Agripino, quando disse que só queria o dinheiro dele e que ele era um péssimo senador.

    125403
    Marcelão
    05/09/2010 às 13:36

    De quem mais a sargento Regina falou foi de Zé Agripino, mais dizem que o Grande Jornal tem dono. Aí, sendo assim, esqueceram de falar sobre o esculaxo que ela deu no senador e no seu partido. Falaram e esculhambaram apenas com os sindicatos que representam os trabalhadores, numa arquitetura verbal digna do DEMO.

    125411
    Em nome da Polícia!
    05/09/2010 às 15:23

    Creio que agora, a Sgt Regina, dependendo da data de gravação desses vídeos, será excluída definitivamente da PM/RN. Pois se a Sgt Regina quando da gravação dos vídeos já tiver sido reincorporada liminarmente à Polícia Militar do RN, certamente está sujeita ao regulamento disciplinar da Polícia Militar e ao código penal militar. Diga não à corrupção!

    125421
    jose
    06/09/2010 às 08:22

    O fiador da corupçao e o eleitor! esse pais nao tem geito !
    PORQUE O POVO NAO QUER!

    125472
    JoãoHenrique
    06/09/2010 às 14:06

    Informação ao amigo:

    Salvo algum engano, o sgt Regina já está fora da PM, pois a mesma por ser vereadora, entra automaticamente na reserva.

    125516

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