Todos mudos

mudos

Até agora, praticamente ninguém se manifestou sobre o absurdo e ilegal acordo celebrado pelo Ministério Público com os delatores da Odebrecht. Contrariando a Constituição e as leis, os senhores procuradores já definiram os delitos, com base apenas nas delações; ainda não tiveram, por óbvio, tempo de investigar nada, mas já definiriam as penas, que são informais. Tudo indica que muitos nem processados serão.

Quem está protestando?

A OAB está protestando? Até agora, não! Ora, que mal há em ignorar o Inciso LXI do Artigo 5º da Constituição? Quem esperneia é o doido do Reinaldo Azevedo. Seus críticos, transformados em puxa-sacos de empreiteiros, mas com pose de justiceiros, enganam os que são incapazes de ler a lei.

As Mesas do Senado e da Câmara protestaram, uma vez que as “penas” inconstitucionais impostas desrespeitam a Lei de Execução Penal, e o acordo, como um todo, viola a Lei das Delações, a 12.850? Se tais códigos não servem, que sejam mudados, ora… Mas pelo Congresso. Nada disso! MPF se comporta como Legislativo, Executivo e Judiciário, e o que se ouve é um enorme silêncio. O doido do Reinaldo Azevedo fala, né? Mas, sabem como é, ele é doido; é muito “principista”.

As associações de juízes, quem diria?, até agora se quedam mudas. E olhem que elas costumam reagir por qualquer coisinha, não é? Algumas transformaram o bom projeto de punição de abuso de autoridade, por exemplo, no Belzebu. Mas, pelo visto, acham normal que as pessoas possam começar a cumprir “pena” antes de um julgamento e ao arrepio do Poder Judiciário.

E por que todos se calam, assim, desse modo vexaminoso, constrangedor?

Por que o silêncio, embora todos os juristas, todos os advogados, todos os operadores do direito, todo o Congresso, toda a imprensa e todo mundo que se interessa pela questão saibam que se está diante de uma agressão arreganhada à ordem legal? Depende!

Há os que se calam por oportunismo mesmo. Raramente tantos vigaristas lucraram com sucessivas crises artificiais na política. Refiro-me a lucros políticos e pecuniários, estes oriundos da especulação.

Fiquem atentos a alguns monumentos morais por aí e reparem como suas respectivas opiniões sobre um político ou outro vão mudando… É gente livre como um táxi ou um desses aplicativos em voga: o cliente paga, e eles entregam o serviço.

Quem é mesmo?
Um dos mantas daqueles cuja principal profissão é me atacar é que, ora vejam, quando eu criticava — E CRITICO AINDA — as prisões preventivas sem tempo, estaria dando mole a empreiteiros…  É mesmo? Então vamos ver:

– o acordo de agora é ou não é bom para os delatores da Odebrecht?;

– todas as penas aplicadas até agora a bandidos delatores são exemplo de exercício rigoroso da lei?;

– um homem que cometeu as enormidades que Sergio Machado cometeu arca exatamente com quais consequências? Dois anos e três meses de prisão domiciliar, em sua mansão, e os filhotes com a ficha limpa.

Eis a Justiça bastarda que se está a fazer no país. E, no entanto, a pauta influente é a da suposta impunidade promovida pelo STF, razão por que se deveria extinguir, segundo os tontos, o foro especial.

Se existe gente no rala e rola com empreiteiros, ah, definitivamente não sou eu!

Pergunte a qualquer pessoa ideologicamente isenta, mas com a devida competência técnica, a quem interessa o acordo inconstitucional e ilegal celebrado pelo MPF.

E que preço o órgão cobrou para dar o presentão que deu aos delatores? A liquidação da chamada “classe política”. Esse era o programa, afinal, dos fanáticos desde sempre. O objetivo, e isso já foi vocalizado, era “zerar tudo”.

Tudo?

Daqui a dois ou três anos, os delatores ora premiados estarão fazendo o que mesmo? Em alguns casos, nem a quarentena existe. Os valentes já estão em ação.

Por Reinaldo Azevedo

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