O Jornal Tribuna do Norte destaca que há menos de um mês depois de negar parte do depoimento que concedeu à promotora de Justiça de Defesa do Patrimônio Público, Danielli Christine Gomes de Oliveira Pereira, ainda em 2011, a ex-funcionária do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem/RN), Laila Cristiane Nagib Leandro de Lima, arrolada pelo Ministério Público Estadual como testemunha de acusação contra o ex-diretor do órgão, Rychardson de Macedo Bernardo, prestou esclarecimentos à Polícia Federal ainda no mês passado.
Nas novas declarações, Laila Nagib confessou ao delegado da Polícia Federal, Adriano Dias Teixeira Amorim do Valle, que “se sentiu intimidada com a presença dos réus e com isso acabou negando tudo aquilo que havia dito à Dra. Danielli Christine em relação aos funcionários fantasmas do Ipem”. A Polícia Federal foi designada pelo juiz federal Halisson Rêgo Bezerra para apurar o crime de falso testemunho supostamente praticado por Laila Nagib em sua oitiva no dia 9 de março passado.
O depoimento de Laila Nagib naquela ocasião foi caracterizado como confuso pelo juiz federal e pelo procurador do Ministério Público Federal, Rodrigo Telles. Na referida data, Laila negou quase que integralmente as explicações dadas à promotora Danielli Christine Gomes de Oliveira Pereira, em 2011, e confirmou a ocupação de cargos fantasmas no Instituto por pessoas direta e intimamente ligadas aos acusados, principalmente a Rychardson de Macedo. Ela citou, ainda, a nomeação de dois familiares do deputado estadual Gilson Moura (PV) – Gilberto Moura e Francinilton Moura – para cargos fantasmas no órgão.
Ao delegado federal, a testemunha admitiu ter faltado com a verdade diante do Juízo quando tratou das questões relacionadas aos funcionários fantasmas que recebiam salários sem cumprirem expediente no Ipem. Em seguida, de acordo com o Termo de Declarações ao qual a TRIBUNA DO NORTE teve acesso ontem, Laila faz ressalvas em relação ao nome da filha do político Miguel Mossoró – Márcia Cristina da Silva e não Márcia Gadelha – que, conforme afirmou ao juiz federal, seria uma funcionária fantasma. Segundo consta no documento, Laila disse ter se equivocado ao apontar Gilberto de Moura como também funcionário fantasma e em relação a Sayonara Saraiva, filha do desembargador Saraiva Sobrinho, ela disse que o Ipem a remunerava somente como estagiária e não como funcionária contratada.
Laila Nagib revelou novos fatos ao delegado federal afirmando que meses antes da sua oitiva recebeu “ligações de pessoas que não se identificaram e as quais não conhece dizendo frases como “boca fechada não entra mosca”, sentindo-se, assim, ameaçada”. De acordo com a depoente, as ligações se estenderam entre os meses de março e junho de 2011 e, depois desse período, se encerraram. As ameaças não foram registradas na Polícia Civil. Questionada se as ligações ocorreram dias antes do seu depoimento ela disse que “nenhum dos réus fez qualquer tipo de ameaça, intimidação ou oferta de vantagem”.
A ex-funcionária do Setor Financeiro do Ipem encerrou seus esclarecimentos à Polícia Federal ressaltando a veracidade da sua primeira oitiva. Laila explicou que “achava que (seu depoimento) seria sigiloso, mas era de conhecimento de todos os réus na ação penal, o que fez com que ficasse bastante receosa e acabasse desmentindo o que disse ao Ministério Público”. Ela reiterou, ainda, que o depoimento prestado à promotora Danielli Christine é correto e “nada foi indevidamente acrescentado”, diferente do que afirmou ao juiz federal Halisson Rêgo Bezerra. Os depoimentos da Operação Pecado Capital serão retomados no próximo dia 8 de maio. Laila Nagib será mais uma vez ouvida e, em seguida, as testemunhas de defesa dos réus.



