- Sucesso de “Vinde a Mim” escancara abandono do Centro Cultural e silêncio conveniente dos artistas
Após três noites de casa cheia, de 1º a 3 de maio, o espetáculo “Vinde a Mim”, da Trapiá Cia Teatral, encerrou sua estreia com ingressos esgotados e forte repercussão em Caicó. A montagem, dirigida por Lourival Andrade e com texto de Gregory Haertel, mostra que talento e público existem. O problema é outro: falta estrutura — e sobra omissão.
Sem poder utilizar o Centro Cultural Adjunto Dias, que segue fechado e deteriorado, o espetáculo precisou se virar no Salão Nobre da antiga Prefeitura de Caicó. Um espaço improvisado, inadequado para grandes apresentações, mas que virou alternativa obrigatória diante do abandono do principal equipamento cultural da cidade.

E enquanto o teatro de Caicó continua caindo aos pedaços, o silêncio chama atenção. Os artistas, que antes cobravam, hoje pouco ou nada dizem. Não há protestos, não há mobilização, não há pressão pela reabertura do Centro Cultural. O motivo, nos bastidores, é conhecido: muitos dependem de apoio e recursos do governo do Estado para realizar seus projetos.
O resultado é um cenário contraditório: a arte resiste, o público comparece, mas a estrutura inexiste — e quem deveria cobrar prefere se calar. Enquanto isso, o Centro Cultural de Caicó segue fechado, esquecido e sem qualquer perspectiva concreta de reabertura.




