
E você sabe como é que é, né? Sem a “caneta” o poder de um governante é reduzido a pó. A influência do líder diminui e, quando muito, só lhe resta cuidar do projeto pessoal. Wilma sabe disso. E uma das coisas que mais irritou a governadora na chamada “Unidade Potiguar” – bloco que juntou Henrique Alves (PMDB), Robinson Faria (PMN) e João Maia (PR) para barrar o anúncio da candidatura de Iberê Ferreira – foi a tentativa de tirar-lhe o comando da própria sucessão.
Por mais que os aliados afirmem que o grupo surgiu para garantir a “unidade”, ficou a impressão de emparedamento da atual chefe do Executivo. Wilma ficou furiosa, soltando fogo pelas ventas, quando tomou conhecimento do jogo urdido pelos companheiros da base governista.
Sinal disto foi o bate-boca com João Maia, diante de duas dezenas de correligonários, em Patu. De forma direta, conforme noticiou o Nominuto.com e relatou quem presenciou a cena, Wilma disse que era mais “estrategista” do que o grupo formado por Henrique Eduardo, Robinson e João. E que ninguém iria tirar dela o comando da própria sucessão. Não é necessário dizer que João Maia reagiu e que ficou no ar aquele clima ruim.
Só estou lembrando o episódio para reafirmar que Wilma está atenta aos movimentos de quem deseja reduzir-lhe a influência na escolha do candidato do seu grupo político. Candidato esse, diga-se de passagem, já escolhido. É Iberê Ferreira, por dois motivos principais: partidário e de governo. Os ânimos estão mais serenados depois daquela reunião em Brasília, onde a Unidade Potiguar lavou sua roupa com a governadora e com Iberê.
Mas ontem (25), li no twitter uma postagem da govenadora: “Só adianta ser GOVERNO se for para transformar e melhorar a vida das pessoas. É preciso muito determinação”. Pra quem ela mandava esse recado? Só pode ter sido para Robinson, para João Maia ou para Henrique Eduardo, tido como alternativa, o “tertius”, em caso de desoneração geral da base. Wilma não vai dar mole, não, pra essa turma. Ela tentará impor o seu plano: emplacar Iberê pro governo e ampliar seus apoios para o Senado da República.
Por Diógenes Dantas


