A cachaça é a bebida destilada mais consumida no Brasil e a terceira no mundo. A produção anual no país ultrapassa 1,3 bilhão de litros e o número de produtores é superior a trinta mil. O faturamento do setor é estimado em R$ 2 bilhões anuais. Todos os Estados produzem a bebida genuinamente brasileira. No Rio Grande do Norte, o destaque é a produção da cachaça de alambique. Feita artesanalmente, a bebida ganha novas versões para atender a demanda do mercado interno e internacional. A cachaça orgânica é a nova aposta dos produtores potiguares. Pelo menos duas cachaçarias possuem a versão e outros engenhos estudam a implantação da produção em suas terras.
Localizada a menos de 60 quilômetros de Natal, a Fazenda Jardim abriga a Agroindustrial Extrema. No local, há seis anos, é fabricada a cachaça Extrema e outros 25 itens que vão de aguardante a licores. No mês passado, a cachaçaria foi uma das vencedoras do 9º Prêmio à Micro e Pequena Empresa (MPE) Brasil na categoria Agronegócio. Em 2010, a Extrema foi uma das primeiras a conquistar o selo de produto orgânico emitido pelo Instituto Biodinâmico (IBD) e que antes passa pelo crivo dos Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Meio Ambiente e do Trabalho e Emprego.
A diferença da cachaça tradicional para a orgânica é que, na produção desta, não é utilizado nenhum produto químico em sua confecção. Para a fermentação da bebida, ao invés de ácido sintético, é utilizado o suco de limão. A plantação da cana-de-açúcar – matéria-prima da cachaça – está livre de agrotóxicos. “Todos esses detalhes são fundamentais para ter direito ao selo”, revela José da Costa Souza, um dos proprietários da Fazenda Jardim e produtor da cachaça Extrema.
Samanaú do Seridó
Mas é no Seridó que uma das cachaças mais conhecidas pelo público potiguar é produzida. A Samanaú também ganhou a versão orgânica e quer conquistar o paladar de apreciadores de aguardante em todo mundo. Na Fazenda Samanaú, a fermentação da bebida é feita através de leveduras selecionadas, “sem adição de nenhum produto químico”, explica Dadá Costa, proprietário do engenho. “No próximo ano, vamos começar a exportar para alguns países da Europa”, avisa.
Cerca de 300 mil garrafas da cachaça Samanaú são produzidas por ano. A bebida existe desde 2005. Naquele ano, a produção foi menor, apenas 25 mil garrafas. A estiagem desse ano, segundo Dadá Costa, não será empecilho para os planos da fazenda. “Como contamos com a irrigação, a cana não se perdeu. Só teremos problemas se a seca desse ano se repetir em 2013”. Mais que a possível falta d’água, o que preocupa o empresário é a carga tributária que incide sobre a bebida. “Pagamos muitos impostos. A carga tributária é muito pesada e limita nossa expansão”, alega.
Fonte e foto: Tribuna do Norte (Engenho Samanaú)



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