O candidato a deputado estadual e ex-prefeito de Assú, Dr. Gustavo Soares (PSDB), afirmou que o Vale do Açu precisa voltar a ter um representante na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. A declaração chama atenção por um detalhe político impossível de ignorar: o último representante de peso da própria família na Casa, seu irmão George Soares, deixou voluntariamente o mandato para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado.
George estava no quarto mandato consecutivo de deputado estadual quando disputou e venceu, em 2024, a eleição interna da Assembleia para o cargo de conselheiro do TCE-RN. Foram 12 votos contra 11 de Gustavo Carvalho. Depois disso, renunciou à cadeira parlamentar e tomou posse no Tribunal de Contas.
Por isso, o discurso de Gustavo soa, no mínimo, contraditório. Se hoje o Vale do Açu sente falta de representação na Assembleia, essa ausência também decorre de uma decisão tomada justamente pelo seu irmão, que preferiu deixar o mandato conquistado nas urnas para seguir outro caminho na vida pública.
Ninguém discute que o Vale do Açu tenha direito e necessidade de uma representação forte no Legislativo estadual. A questão é outra: Gustavo cobra agora a ocupação de um espaço que sua própria família política tinha e abriu mão de manter.
A candidatura de Gustavo à Assembleia está oficialmente homologada pela Federação PSDB/Cidadania. E, diante do histórico recente do irmão, uma pergunta política inevitavelmente começa a surgir nos bastidores: se eleito, Gustavo pretende realmente construir uma trajetória duradoura na Assembleia ou poderá, no futuro, seguir o mesmo caminho de George?
A coerência do discurso, nesse caso, também entra na campanha.



