
Coube à bancada de deputados federais do PSB lançar Delgado. Deu-se por meio de uma carta, enviada aos deputados nesta quinta-feira (20). Sem mencionar o nome do rival, o texto realça as desvantagens de uma candidatura solitária:
“Nosso compromisso é com a renovação das práticas políticas, buscando maior sintonia com a maioria dos deputados e com a sociedade. Avaliamos que uma candidatura única impede o debate interno e impõe a manutenção de um modelo de gestão já esgotado.”
Sem entrar em detalhes, o desafiante é apresentado como renovador: “O objetivo da candidatura de Júlio é vocalizar o sentimento da Casa, que clama por inovação, participação e valorização. Mudanças de comportamento, de atitudes e da atuação parlamentar são urgentes…”
Delgado foi à pista um dia depois de Henrique ter obtido o apoio de mais duas legendas: PDT e PSC. Antes, o líder do PMDB já havia se acertado com um conglomerado partidário que inclui dos oposicionistas PSDB, DEM e PPS aos governistas PT, PSD, PP, PCdoB e um bloco de seis legendas liderado pelo PR.
Para que um deputado prevaleça na sucessão da Câmara, são necessários pelo menos 257 votos. Somando-se as cadeiras controladas pelas legendas que dizem apoiar Henrique, chega-se a 437 votos. Ainda indefinido, o PTB ensaia a adesão. São mais 19 votos. A votação é secreta. Algo que facilita a traição.
O que faz de Delgado um azarão é a aparente dianteira aberta por seu antagonista. Às claras, o postulante do PSB não dispõe por enquanto senão dos votos dos deputados do seu partido –32 cabeças, incluindo a sua. É certo que arrastará alguns votos à sombra. Mesmo no PT há narizes torcidos para Henrique. Mas uma reviravolta exigiria o surgimento de uma insuspeitada legião de silvérios.



