Há algumas semanas, uma família amiga minha enfrentou o terror de um assalto a casa onde residiam, em Capim Macio. Mãe, tia e o casal de filhos foram feitos reféns, deitados no chão da cozinha da casa, enquanto os marginais surrupiavam televisão, computadores, celulares, roupas, perfumes e todo objeto que lhes despertavam interesse.
Felizmente, a família saiu ilesa fisicamente, mas o trauma psicológico foi instalado definitivamente.
Há alguns meses, a mesma família residia em Morro Branco. Na tarde de um dia da semana, o pai chegava em casa e o vizinho ao lado o chamou para uma conversa. Quando os dois se cumprimentavam, bandidos os renderam. Foram levados para o interior da residência e lá ficaram com outras pessoas sob a mira de armas.
Traumatizados, tanto o vizinho como a família amiga mudaram de endereço. Meus amigos foram para Capim Macio e o que aconteceu depois vocês já leram no início deste texto. Hoje, moram provisoriamente na residência de um familiar e estão vendendo as casas de Morro Branco e Capim Macio. Vão comprar um imóvel num condomínio fechado, na esperança de reencontrarem a tranqüilidade perdida.
Conheço alguém que se considera um homem honesto, cumpridor das leis e extremamente duro quando opina sobre a marginalidade. É daqueles que defendem a pena de morte para a marginalidade e jogam a culpa pela violência que ora vivemos nos governantes.
Certa vez, esta mesma pessoa me contou que o painel de seu carro havia quebrado. Foi à concessionária e achou um absurdo o preço da tal peça. Disse que alguém lhe indicou uma busca pelo “comércio” do Alecrim. Lá, não precisou andar muito e um desconhecido perguntou a ele o que procurava. Dito o que precisava, em poucos minutos um painel usado lhe foi oferecido. E levou a peça que, certamente, proveniente de carro roubado.
A televisão, os computadores e os celulares que foram roubados de meus amigos também devem ter tido destino semelhante: comprados por pessoas com ficha limpa na polícia e que se dizem honestas, revoltadas com a crescente criminalidade.
A exemplo dos viciados que alimentam o tráfico de drogas, é gente que contribui para um tipo de crime que cresce em Natal e que um dia pode acabar como vítima. Não haveria traficante se não houvesse consumidor de drogas. Não existiria assalto às residências se não houvesse a figura do receptador.
Antes de criticarmos a variada gama de problemas da polícia, da leniência dos governos e amaldiçoarmos a bandidagem que anda solta, devemos primeiro olhar-nos no espelho.





Amigo Robson, lendo sua matéria, fiquei lembrando o que ocorreu no RJ neste final de semana e penso que só existe traficantes e bandidos porque tem quem consuma as droga, e quem é usuário na maioria das vezes são cidadãos que não moram no morro, ou seja, a maioria é da sociedade que alimenta tudo isso.Fico cada vez mais indignada com o descaso com a falta de saúde, educação e a insegurança que cada vez mais ficamos refém!
Um texto para fazermos reflexao sobre nos mesmos. É a mais pura verdade. Parabéns a Josenildo por mais um artigo brilhante.
Muito bom o texto do nosso amigo carlão, a familia a qual foi citada eram meus vizinhos e amigos e infelizmente isso ocorreu,mas graças ao bom Deus eles não sofreram nada e com certeza encontrarão uma morada tranquila, e que se possa haver mais segurança para as pessoas de bem.
A verdadeira sabedoria é menos presunçosa que a tolice.
O homem sábio duvida frequentemente e muda de ideia.
O homem tolo é obstinado e não muda nunca.
O tolo sabe de tudo, menos da sua própria ignorância.
(Aquenaton, faraó egípcio da XVIII dinastia)
é verdade xerife. as pessoas nao olham pro proprio rabo e so sabem criticar. quem compra produto roubado tb é ladrao!
Este caso é apenas um dentre os inúmeros que não são conhecidos de pessoas que escrevem ou que têm acesso a imprensa. O problema não é tão pequeno e todos nós sabemos. Num país onde é necessário criar uma lei (ficha limpa) para filtrar as pessoas com problemas (judiciais), torna-se claro, que é um país SEM VERGONHA, SEM SOLUÇÃO. Estas discussões são balelas, conversa fiada. Mas a culpa é nossa mesmo. Quem os põem no poder, somos nós. Muitos não têm a noção do valor do seu voto. O dia da eleição é aquele dia de farrearmos além dos dias normais, pq logo a noite na divulgação dos resultados os eleitos farão grande festa e estaremos lá para farrearmos mais. E no dia seguinte, MORREU MARIA PREÁ.