
A desvantagem de 2 pontos percentuais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, em cenários de 2º turno, intensificou o clima de tensão no Palácio do Planalto e na estrutura da campanha petista. O cenário, que atinge diretamente a confiança da base aliada, foi consolidado por dois levantamentos recentes.
A pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (14/09), indicou o candidato do PL com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula. O resultado corroborou o levantamento PoderData/Aya, apresentado na quinta-feira (10/09), que já apontava Flávio com 47% e o petista com 45%. A sequência de resultados negativos coloca o foco da insatisfação sobre o marqueteiro Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação, que exerce influência determinante na condução do marketing eleitoral.
A insatisfação transcende o núcleo central, atingindo figuras influentes do PT. O ex-governador Rui Costa, candidato ao Senado, manifestou descontentamento com a estratégia adotada, sentimento compartilhado por alas históricas do partido em São Paulo. O diagnóstico comum entre parlamentares é de que a comunicação lulista opera de forma defasada, falhando em aproveitar oportunidades políticas diante de uma oposição que demonstra maior agilidade no ambiente digital.
A gestão de Sidônio é criticada ainda pelo que aliados classificam como falta de foco, apontando que o ministro dedica atenção excessiva a campanhas regionais, como a de João Campos (PSB) no Recife. A transição de nomes na Secretaria de Estratégia e Redes Sociais da Secom, que incluiu a saída de Mariah Queiroz em agosto de 2026 para retornar à comunicação de Campos, ilustra a instabilidade na pasta.
Atualmente, a linha de frente da campanha de Lula é comandada por Raul Rabelo, marqueteiro indicado por Sidônio, com quem manteve sociedade na agência de publicidade Leiaute. Enquanto a coordenação tenta ajustar o discurso no núcleo instalado no Lago Sul, a pressão interna por mudanças na estratégia se torna um desafio crescente para o projeto de reeleição.
