Acossado por um vendaval de denúncias que se intensificou nos últimos dias, o governador de Goiás, Marconi Perillo, decidiu sair da defensiva. A gota d´água foi uma reportagem deste fim de semana da revista Época, chamada “Os três amigos”, sobre negócios que Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira teriam tratado, em nome do governador.
Em nota divulgada no final da tarde deste sábado (21), o governo afirma que a revista Época mente ao relatar novas conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo. “Baseando-se em especial na imaginação de seus redatores e em gravações que lhe são vazadas seletivamente com nítidas intenções políticas, a revista mistifica os fatos, enfraquece os compromissos da imprensa com a democracia e, mais grave ainda, mente”, diz o comunicado.
A nota interpreta a reportagem publicada na sexta-feira (20) como “uma campanha contra o governador Marconi Perillo”. A revista, segundo o governo de Goiás, “tenta, de forma equivocada e sem consistência, envolver o nome dele em atividades suspeitas, irregulares ou ilegais”. Para isso, “Época seleciona fragmentos de mais de 30 mil horas de gravações e, com essas conversas pinçadas, tenta construir situações que seriam para o governador, no mínimo embaraçosas, se verdadeiras”.
Com o título “Os três amigos”, Época em reportagem disponibiliza a íntegra de conversas – 5,9 gigabytes de informação – que corre sob segredo de Justiça na 11ª Vara Federal de Goiânia. Segundo a revista, o governador Marconi Perillo “mandou passar” à Delta um contrato que poderia render R$ 1,2 bilhão – seria a obra de um veículo leve sobre trilhos que não foi sequer licitada. A publicação “não consegue provar sequer um único benefício concedido de maneira imoral ou fora da lei pelo governador”, rebate o Palácio das Esmeraldas.



