
Todos aguardam a posição oficial do Partido Liberal no Rio Grande do Norte sobre o segundo turno. Mas, para compreender o que pode vir desse anúncio, é preciso observar quem comanda a sigla e quais interesses estão em jogo.
No PL potiguar, a palavra decisiva é de Rogério Marinho. Álvaro Dias, embora tenha sido o candidato do partido ao governo, não exerce o mesmo controle sobre a estrutura partidária. Ter encabeçado a chapa não lhe dá, automaticamente, o comando político da legenda.
Rogério não anunciaria apoio ao PT. Quanto a Allyson Bezerra, minha leitura é que o senador não vê, neste momento, interesse político em reconstruir uma aliança com o ex-prefeito de Mossoró.
Não considero que a principal explicação seja ideológica, como sugerem alguns bolsonaristas ao tentar apresentar Allyson como um nome de esquerda. Em 2022, Rogério não teve dificuldade em se aliar a ele para buscar sua eleição ao Senado. A parceria foi possível quando atendia aos interesses dos dois. Agora, o cálculo é outro.
Rogério olha também para 2030, quando precisará renovar seu mandato. Mesmo que chegue à Presidência do Senado, terá de voltar às urnas para permanecer na Casa. E uma das possibilidades que entram nessa conta é enfrentar Fátima Bezerra.
Nesse horizonte, fortalecer Allyson agora significaria contribuir para a ascensão de uma liderança que, se eleita governadora, teria condições de influenciar a sucessão estadual e a própria disputa ao Senado.
Na minha avaliação, é esse o ponto central: Rogério tem pouco incentivo para ajudar a construir uma força política da qual poderá depender, ou com a qual poderá disputar espaço, daqui a quatro anos. A decisão sobre o segundo turno passa também pela eleição seguinte.
Mas a posição do PL não define, sozinha, o destino de todo o palanque de Álvaro Dias. A aliança do primeiro turno reuniu grupos com lideranças, estruturas e interesses próprios.
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