
A insônia terá uma nova opção de tratamento no Brasil. O Dayvigo, nome comercial do lemborexante, deve chegar às farmácias brasileiras ainda neste semestre e passa a oferecer uma alternativa aos medicamentos tradicionalmente utilizados para combater o distúrbio do sono.
Desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai, o medicamento será comercializado, promovido e distribuído no país por meio de uma parceria com a Eurofarma. O preço médio estimado é de R$ 200.
A principal diferença do lemborexante está no mecanismo de ação. O princípio ativo bloqueia de forma temporária os receptores de orexina, neurotransmissor relacionado à manutenção do estado de vigília e alerta.
Como funciona o lemborexante
Diferentemente dos benzodiazepínicos e dos chamados medicamentos Z, como o zolpidem, o lemborexante atua de maneira mais direcionada sobre o sistema responsável pela manutenção da vigília.
Ao bloquear a ação da orexina, o medicamento reduz os sinais cerebrais associados ao estado de alerta, facilitando o início e a manutenção do sono.
O Dayvigo é classificado como um antagonista duplo dos receptores de orexina, conhecido pela sigla DORA. A aprovação no Brasil foi baseada em um programa de desenvolvimento clínico que reuniu 20 estudos das fases 1, 2 e 3.
Nos estudos de fase 3, o medicamento apresentou resultados estatisticamente superiores ao placebo e também ao zolpidem de liberação prolongada. Os pacientes tratados com lemborexante tiveram redução no tempo necessário para adormecer e melhora na manutenção e eficiência do sono durante a noite.
Outro resultado observado nos estudos foi a ausência de insônia de rebote ou de sintomas de abstinência física após a interrupção abrupta do tratamento. Esse aspecto é considerado relevante na avaliação do risco de dependência, embora o acompanhamento médico continue sendo necessário.
Medicamento exige receita azul e tem contraindicações
Apesar dos resultados apresentados nos estudos, o lemborexante não é isento de efeitos adversos. As reações mais comuns incluem sonolência durante o dia e fadiga.
Também foram registrados, com menor frequência, episódios de paralisia do sono e alucinações. O medicamento é contraindicado para pessoas com narcolepsia e não deve ser utilizado em associação com bebidas alcoólicas.
Há ainda restrições relacionadas ao uso simultâneo de determinados medicamentos que interferem na enzima hepática CYP3A. Pacientes que utilizam a dose máxima de 10 mg também devem ser orientados sobre a possibilidade de comprometimento da capacidade de dirigir na manhã seguinte.
Por atuar no sistema nervoso central, o Dayvigo será comercializado sob controle especial. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enquadrou o medicamento na Lista B1 de substâncias psicotrópicas, o que exige receita azul, com apresentação e retenção da Notificação de Receita B no momento da compra.
A previsão da fabricante é que o medicamento esteja disponível nas farmácias brasileiras ainda neste semestre, ampliando as opções terapêuticas para pacientes com insônia.
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