A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), fez nesta segunda-feira (1º) um dos mais duros ataques políticos já direcionados ao ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra (União Brasil). Durante entrevista à rádio 94 FM Natal, a petista associou o adversário às investigações da Operação Mederi e utilizou o caso para estabelecer um contraste entre a gestão estadual e a administração mossoroense.
Sem citar Allyson nominalmente em todos os momentos da entrevista, Fátima deixou claro o alvo de suas críticas ao afirmar que seu governo não convive com escândalos de corrupção nem com operações da Polícia Federal envolvendo integrantes da administração estadual.
Ao defender o pré-candidato do PT ao Governo do Estado, Cadu Xavier, ex-secretário da Fazenda, a governadora destacou que ele jamais foi investigado por desvios de recursos públicos ou acusado de participação em esquemas de corrupção.
“Começando primeiro por um governo honesto. Um governo que não tem a Polícia Federal batendo na porta, que não tem secretários sendo acusados de desviar dinheiro na saúde ou de receber propina”, afirmou a governadora.
A declaração foi interpretada nos bastidores políticos como uma referência direta às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União sobre supostas irregularidades em contratos da área da saúde durante a gestão de Allyson Bezerra em Mossoró.
Fátima aproveitou a entrevista para reforçar a imagem de honestidade de Cadu Xavier e, ao mesmo tempo, lançar dúvidas sobre a administração do principal nome da oposição na disputa pelo Governo do Estado em 2026. A estratégia evidencia o início da polarização entre governistas e oposicionistas, com a corrupção surgindo como um dos principais temas do embate eleitoral.
A Operação Mederi, deflagrada em janeiro deste ano, investiga um suposto esquema de fraudes na compra de medicamentos por prefeituras potiguares. De acordo com a Polícia Federal, a empresa contratada entregaria apenas parte dos produtos adquiridos ou mercadorias com validade comprometida, enquanto uma parcela dos recursos retornaria aos envolvidos por meio de propina.
Segundo as investigações, o esquema teria alcançado diversas cidades do Rio Grande do Norte e teria como um dos núcleos de atuação a Prefeitura de Mossoró. A Polícia Federal cita Allyson Bezerra como suposto integrante da estrutura investigada.



