Não à indústria do barulho! Por Jean-Paul Patres

Por Jean-Paul Prates 

Verão, sol, calor e cerveja. Tempo de paredão de som em todo o Brasil! Cada um alega que está no direito de ouvir a sua música na altura que quiser. Alegam que a “democracia” e a “liberdade de ir e vir” garante direito a compartilhar e impor a barulheira com todo mundo que estiver por perto, querendo estes ou não. Mais do que isolados casos de falta de civilidade, esta ode ao barulho advém um problema cultural profundamente enraizado, além de altos interesses econômicos e políticos.

É isso que faz com que o desrespeito às leis e o desprezo aos riscos para a saúde da população alimentem a corrupção e o negócio da “cultura do barulho” em todo o Brasil, à revelia de milhares de dispositivos legais e posturas urbanas que são letra morta diante de autoridades fracas e desintegradas para combater o que realmente está encoberto pelos paredões: falta de civilidade, atentado à atratividade turística, crime ambiental e violação de direitos humanos.

O barulho como “negócio”
Soa estranho, mas é verdade. Atrás desta cultura do barulho funciona todo um mecanismo de fazer dinheiro. O faturamento é enorme: as gravadoras ganham com a freqüente mudança da música em moda (CDs, DVDs, mp3), as emissoras de rádio ganham dinheiro com isso, os canais de televisão atingem índices maravilhosos de audiência durante o carnaval e outras festas, o governo ganha com os impostos, funcionários públicos ganham com a não-aplicação de leis, que na verdade nem foram feitas para ser aplicadas, os blocos de carnaval ganham com os seus abadás baratos (na qualidade) e caros (no preço), o negócio com o show e o entretenimento está indo de vento em popa e quem mais ganha com tudo isso são as cervejarias, já que todo esse barulho é irrigado principalmente com muita cerveja, para que cresça e se desenvolva bem.

Para completar, há também os bares, que também tocam música alta, o que praticamente tem que ser, pois, caso contrário, perderiam clientes. E, mais recentemente, a proliferação de carros de som – normalmente produzidos para o período eleitoral, que, na entre-safra política oferecem serviços aos comerciantes da cidade para atormentar as pacatas ruas residenciais com seus altos decibéis de ofertas.

Quem sofre é a população. Todo mundo: os que não gostam do barulho e os outros, que participam de tudo isso e no fim tem só os efeitos colaterais: prejuízos a saúde, menos dinheiro, conflitos sociais (poluição sonora é uma das maiores causas de conflito nas capitais do Nordeste e adjacências!) e principalmente burrice, já que a massa é mantida burra para continuar a consumir zoada.

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