Mais de 5,5 mi de pessoas viajaram até outra cidade para se vacinar

As diferenças em grupos prioritários e na disponibilidade de imunizantes estão levando milhões de brasileiros a viajar em busca de uma vacina contra a Covid-19. De acordo com os microdados da campanha de vacinação contra o coronavírus do Ministério da Saúde, quase 5,5 milhões de doses foram aplicadas em pessoas que não moram na cidade onde a imunização foi feita.

Isso representa 16,4% do total registrado no banco de dados no momento da análise. Dos 5,5 milhões de doses, 1,1 milhão dizem respeito às que foram aplicadas em pessoas que não moram no mesmo estado onde a vacina foi dada. As informações foram compiladas pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles.

As vacinas são distribuídas por estado levando em conta a população-alvo de cada etapa do plano de vacinação. Assim, o “turismo da vacina” acaba sendo mais grave quando envolve unidades federativas diferentes.

O Ministério da Saúde explicou em nota que “a distribuição das doses é feita em etapas e segue critérios técnicos de proporcionalidade do público-alvo a ser imunizado em cada Unidade Federada (UF)”. Isso é feito “de acordo com a estimativa de população dos grupos prioritários definidos no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 (PNO) e com base na quantidade de doses entregues pelos laboratórios”.

Assim, diante da escassez do produto, que tem gerado problemas na aplicação da segunda dose da vacina, municípios vêm reclamando de pessoas de outras cidades que vão se vacinar no local. Um exemplo disso é São Gonçalo (RJ), que desde 11 de fevereiro cobra um comprovante de residência para aplicar a dose.

“A Secretaria de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo pede o comprovante de residência porque a quantidade de vacinas enviadas pelo governo do estado para o município é calculada com base no público-alvo da população de São Gonçalo. O objetivo é garantir a vacinação dos munícipes”, justificou a prefeitura da cidade.

São Gonçalo é parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e faz divisa, entre outros, com Niterói. Por causa da cobrança em São Gonçalo, não é possível a niteroienses se vacinarem na cidade, mas a recíproca não é verdadeira. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, 10,7 mil são-gonçalenses foram para Niterói em busca de uma dose do imunizante.

A questão das vacinas é apenas um dos pontos que opõem os prefeitos das duas cidades – Axel Grael (PDT), em Niterói, e Capitão Nelson (PL), em São Gonçalo. Os dois mandatários estão em pé de guerra devido à pandemia, com Grael criticando a falta de iniciativas na cidade vizinha. De acordo com ele, 20% dos hospitalizados com Covid-19 em 13 de abril na cidade eram de São Gonçalo.

Apesar da disputa, o Ministério da Saúde aponta que “o acesso aos serviços de saúde, incluindo a vacinação contra a Covid-19, deve ser garantido a toda a população brasileira, sem discriminação, conforme os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

A situação é familiar para quem mora no Distrito Federal, já que a capital está encravada em Goiás. A dinâmica do local envolve muita interação com as cidades do Entorno goiano, e na saúde não é diferente. Pelo menos 28,9 mil doses aplicadas no DF foram para cidadãos goianos, enquanto 24,1 mil em Goiás foram para pessoas que moram no DF.

Nesses casos, a recomendação do MS é a articulação entre os dois estados. “No caso do Entorno do Distrito Federal, onde há circulação da população residente tanto do DF quanto de Goiás, o Ministério da Saúde reforça a importância de estratégias de operacionalização das ações da campanha de vacinação com articulação entre as duas unidades federadas”, apontou.

METRÓPOLES

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