João Maia vai discutir projeto do PR com todos os partidos do Rio Grande do Norte

joaao-maia-pousudoEm entrevista neste fim de semana ao “Panorama Político”, apresentado na Rádio Vale do Apodi AM, em Apodi, o deputado federal e presidente do diretório estadual do PR, João Maia disse que só vai discutir alianças políticas em maio do ano que vem. Até lá, o pré-candidato ao Governo do Estado vai continuar suas mobilizações por todo o Estado, ouvindo especialistas e conversando com as pessoas, para preparar seu projeto de desenvolvimento social e econômico pro Rio Grande do Norte.

 “Eu quero apresentar pro povo do Rio Grande do Norte um projeto, de como dar uma escola pública digna ao filho do pobre, de dar uma saúde com qualidade, para que ninguém fique apavorado quando adoecer, como investir mais em segurança pública”, explicou.

Na mesma entrevista, o deputado disse que para ele, o importante no momento não é ser o candidato de Wilma, de José Agripino ou de Garibaldi Filho, mesmo reconhecendo que teria muito orgulho em ter o apoio dos três no seu projeto de disputar o Governo do Estado. O deputado acredito que o que vem contribuindo para a sua ascensão política é o novo momento vivido na política estadual, que em sua opinião, evoluiu para uma posição de que antes se tinha apenas o verde e o vermelho, os Alves e os Maias disputando na política, para um momento pluripartidário. João Maia acredita que uma das grandes disputas de 2010 será pelo Senado Federal, onde teremos dois ex-governadores de oito anos de mandato, e a atual governadora com também dois mandatos. “Eles irão travar a disputa mais importante do Estado”, frisou.

 Seguem alguns trechos da entrevista do deputado:

 O senhor foi um dos deputados federais mais votados no Rio Grande do Norte, fazendo parte, naquela época de uma composição com a governadora Wilma de Faria, e atualmente dizem que o senhor não estaria tão afinado com ela, muito embora que o seu partido tenha uma participação efetiva na administração estadual, indicando algumas secretarias. E recentemente, por ocasião da eleição da prefeita de Natal, o senhor fez parte de um bloco diferente de Wilma. Com relação a 2010, o deputado João Maia é mesmo candidato ao Governo do Estado, ou está apenas pleiteando para disputar novamente o cargo de deputado federal?

Eu sou presidente do Partido da República, que tem um grande trabalho no Congresso Nacional. Nós somos um partido organizado em quase todos os 167 municípios do Estado, e nós ganhamos importantes prefeituras, como São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim, Caicó, Canguaretama, Baraúna e tantas outras cidades. Ser deputado federal, pra quem nasceu em Jardim de Piranhas, é um grande orgulho, mas eu não acho que eu precisaria fazer “pantim”, usando uma expressão nova, pra me reeleger deputado. Eu quero apresentar pro povo do Rio Grande do Norte um projeto, de como dar uma escola pública digna ao filho do pobre, de dar uma saúde com qualidade, para que ninguém fique apavorado quando adoecer, como investir mais em segurança pública. Então, a minha questão não é ser o candidato da governadora, o candidato do senador José Agripino, ou o candidato do senador Garibaldi Alves. Eu terei muito orgulho em ser candidato apoiado por eles, mas euquero apresentar pro povo do meu Estado, um projeto. Como é que a gente gera emprego e renda, como daremos oportunidades para o jovem do interior trabalhar e sustentar sua família. Eu não sou orgulhoso, sou uma pessoa humilde, mas nunca serei subserviente. Sou presidente de um partido, então eu sou um aliado honesto, mas não sou subserviente.  “Hoje é muito fácil você defender Lula, queria ver no inicio da sua campanha, como nós fizemos”

 A imprensa tem divulgado conversas e uma possível aproximação sua com o senador José Agripino Maia (DEM). Isso procede?

Eu tenho uma conversa franca e aberta com o senador José Agripino, como sempre tive, o que não impediu que em 2002 ele me convidasse para ser seu suplente de senador, e naquela época eu achava que o Brasil precisava experimentar os projetos do PT, os projetos do Lula. E aí, eu e o vice-presidente José Alencar defendemos desde o inicio, que era difícil, o Lula. Hoje é muito fácil você defender Lula, queria ver no inicio da sua campanha, e por causa desse apoio não fiquei com Agripino. Quando foi em 2006, o senador Jose Agripino se aliou com o senador Garibaldi e eu preferi me aliar com a governadora Wilma de Faria. Então eu quero deixar claro que tenho uma posição de respeito, de admiração pelo senador José Agripino. Eu o acho um homem honesto, inteligente e competente no que faz, mas eu só vou discutir aliança política, depois que a gente tiver um projeto, porque esse negócio de você ficar dizendo que é candidato de quem, aliado de quem, mas afinal de contas, o que é que nós temos para oferecer ao Rio Grande do Norte? Qualquer governador, se a gente não gerir com competência a saúde, a segurança pública, a educação, vai ficar mais ou menos do mesmo jeito. A questão principal hoje é como gerir o Estado, sem isso, por mais força de vontade que você tenha de fazer, as coisas não acontecem. Eu só vou discutir aliança política em maio do ano que vem, quando tivermos com um projeto de desenvolvimento econômico, social concluído pro Rio Grande do Norte. 

Que momento novo na política do RN é esse, deputado, onde todos conversam com todos?

Nós estamos vivendo um momento diferente na política do Rio Grande do Norte, e toda mudança que a gente faz parte, temos dificuldades de perceber. O Rio Grande do Norte evoluiu de uma posição onde você tinha o verde e o vermelho, onde você tinha os Alves e os Maias.. Acontece que nós vivemos num momento de mudança política, onde está se instalando no Rio Grande do Norte um momento de pluripartidarismo. Tem várias lideranças que necessariamente não se prendem de um lado ou do outro. Quem está de dentro fica com dificuldades de perceber essa mudança. O que é que eu acredito? Se for o que está se desenhando, onde o Rio Grande do Norte vai enfrentar uma disputa entre os três maiores políticos do Estado, já que Garibaldi foi governador oito anos, o senador Agripino também oito anos e a governadora Wilma também oito anos, tirando os seis meses de licença para disputar o Senado. Eles irão travar a disputa mais importante do Estado, que é saber quem vai manter o seu destino político. É uma oportunidade para o aparecimento das novas lideranças políticas. Então você não vai mais encaixar não. Se acontecer isso mesmo, você vai ter lugar onde as pessoas vão votar em Agripino e Garibaldi, outros em Garibaldi e Wilma e outros em Wilma e Agripino. Porque isso é a característica mais importante do pluripartidarismo, e o Rio Grande do Norte está caminhando em marcha acelerada para esse novo cenário. Não tenha dúvida disso. Não dá mais para você encaixar essas duas situações que dominaram a política do Estado. Eu acredito que nós estamos precisando de mais propostas. É para isso que existe o segundo turno, para que os que têm mais afinidade possam se juntar. Mas não dá pra hoje, uma liderança chegar e dizer: você é o candidato do governo e você é o da oposição. Faz favor.  “Nós vamos concluir um projeto de desenvolvimento pro Rio Grande do Norte, e nós vamos discutir em maio de 2010, qual é a aliança que será possível a gente fazer”

 Seguindo uma tendência nacional do PP, PSB e PMDB, isso ocorrendo aqui no Estado a união dos Alves com Wilma de Faria, o PR vai ter uma candidatura alternativa.

Nós vamos concluir um projeto de desenvolvimento pro Rio Grande do Norte, e nós vamos discutir em maio de 2010, qual é a aliança que será possível a gente fazer. Eu sei que você não pode fazer a política do Eu sozinho, não é coerente, mas eu vou discutir com todos os partidos do RN, com todas as lideranças o projeto que vamos construir, interagindo com os melhores especialistas do Estado e principalmente com o povo. Eu quero saber o que vamos fazer pela Região Metropolitana, pelo Vale do Apodi, pelo Vale do Assu, pelo Seridó, pelo Oeste e por todo o Rio Grande do Norte. Nós vamos pegar esse projeto que é do PR e vamos discutir depois quais as melhores alianças. Eu não me sinto obrigado, nem acho que seja correto que eu me defina previamente antes de discutir esse projeto, com quem nós vamos caminhar. O Rio Grande do Norte, não muito diferente da realidade do Brasil, enfrenta muitas dificuldades com a saúde, educação e segurança. Quais seriam as bandeiras de João Maia, disputando o Governo do Estado?O que mais me magoa, é porque acho que hoje a separação social no Brasil e no Rio Grande do Norte se dá na Escola. Quem pode, manda o filho para uma escola particular, que é mais aparelhada, ela cobra mais, e quem não pode, manda para a escola pública, que tem uma concepção que é pública e vai do jeito que dá. Então hoje, o filho de quem pode e o de quem não pode sequer se vêem na escola, diferente de antigamente, onde se misturavam na escola. O que é mais perverso nessa historia, é que na hora do vestibular, o filho de quem pode se preparou melhor, é aprovado e vai para a Universidade Pública, e o filho de quem não pode que estudou na escola pública, vai para a Universidade Privada. Então, você está separando os filhos de quem pode e de quem não pode na escola. E às vezes, o filho de uma pessoa humilde tem que ter um talento para jogar futebol, pra ser cantor, pra ser comerciante, porque escola pública deixou de ser um meio deinclusão social. Eu só estou falando aqui com vocês, porque quando eu estudei no CEJA de Caicó, era uma das melhores escolas do Estado, e isso me possibilitou ir para uma Universidade Pública. O que mais mexe comigo é essa separação de raças que se dá na Escola. Eu, graças a Deus, se um filho meu adoecer, tenho pra onde levar, mas assim mesmo eu fico apavorado quando um filho meu adoece. Todo pai e mãe ficam, e se você não tem uma saúde que atenda com competência suas necessidades, quando alguém adoece é de enlouquecer. Essas coisas básicas é o que estão faltando no Rio Grande do Norte. E como falta emprego, como falta segurança, mas como não temos dinheiro pra tudo, e precisamos priorizar as coisas, mas se bem que não adianta ter dinheiro, se faltar gestão não vamos pra lugar nenhum, as minhas prioridades serão essas.

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