Impeachment: “um jogo que não acabará neste domingo”

Qualquer que seja o resultado da votação do processo de impeachment neste domingo, o Brasil ainda não terá encontrado uma solução definitiva para seus problemas políticos, que arrastam a economia para a mais profunda depressão de sua história.

O motivo é simples. Se a presidente Dilma Rousseff vencer a disputa, terá sido por uma margem apertada de votos – o que evidenciará seu problema maior, que é dificuldade para organizar uma base estável de apoio político no Congresso.

No campo oposto, se o impeachment vier a ser aprovado, Michel Temer ainda terá sua legitimidade questionada por amplos setores da sociedade.

Não custa lembrar que, numa eventual eleição presidencial, ele teria apenas 1% dos votos.

Dilma teria, portanto, que reconstruir suas relações com parlamentares que considera traidores e golpistas.

Temer, por sua vez, precisaria de resultados rápidos, sobretudo na economia, para conseguir respirar.

Até porque, mesmo que o afastamento de Dilma venha a ser confirmado pelo Senado, Temer ainda seria um presidente provisório, até o julgamento definitivo de Dilma.

Dada a fragilidade dos dois principais atores, será cada vez mais importante o papel do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Embora não vá segurar o impeachment, Renan não será um mero carimbador do processo da Câmara.

Portanto, não será surpresa se Renan, que sonha com o parlamentarismo, decidir tirar algum coelho da cartola.

O Brasil de hoje se vê entre a ingovernabilidade de Dilma e a ilegitimidade de Temer.

Leonardo Attuch

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