
O Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do Rio Grande do Norte (Idiarn) interditou 13 propriedades com animais infectados por mormo em nove municípios do Estado. A medida foi tomada após um surto local de casos da zoonose, em menos de dois meses, que atingiu 20 animais. No momento, as localidades com os casos confirmados estão em saneamento, seguindo o previsto pelas medidas de vigilância. A informação foi confirmada pelo diretor de Defesa e Inspeção Sanitária Animal (DISA) do Idiarn, o médico veterinário Renato Dias Maia, nesta quinta-feira (5).
Segundo o médico veterinário, as notificações dos 20 animais atingidos nos últimos 45 dias foram as únicas repassadas pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA/PE) ao órgão neste ano. Ao todo, as propriedades com os casos infectados estão distribuídas nos municípios de São José de Mipibu, Pedro Velho, Extremoz, Ceará-Mirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, São Paulo do Potengi, João Câmara e Vera Cruz.
“Todas [as propriedades] foram interditadas e estão em saneamento. Só que o procedimento de saneamento é muito amplo e pode demorar o tempo que for necessário para que a gente possa sanear aquela propriedade. Pode durar 15 dias, ou pode durar mais de um mês” , esclarece Renato Dias Maia. Ainda, de acordo com ele, as medidas sanitárias vigentes estão sendo mantidas e uma reunião com a coordenação do Programa Nacional de Sanidade dos Equídeos (PNSE) foi realizada nesta quarta-feira (5) com o objetivo de tratar o assunto.
O surto de mormo no Estado gerou maior repercussão após matéria publicada pela TRIBUNA DO NORTE, na última terça-feira (4), com base nos números divulgados pelo Laboratório Saffary sobre o cenário local da zoonose. Os números correspondem a exames positivos realizados pelo laboratório, que passaram por reteste no LFDA/PE, e equivalem ao registrado nos últimos sete anos em território potiguar. A doença atinge principalmente equídeos (como cavalos) e pode ser facilmente transmitida para humanos por meio do contato da pele com secreções de animais infectados.
O médico veterinário George Vilar, da Clínica e Laboratório Saffary, esclarece que o laboratório é credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e realiza os chamados exames de triagem por meio da técnica de Elisa. Trata-se de um processo que detecta a presença de substâncias específicas, como antígenos, em amostras biológicas. Na sequência, o LFDA/PE realiza o teste confirmatório para informar os casos ao Idiarn que deve acionar a interdição das propriedades com animais infectados. O especialista pontua que na última etapa o percentual de confirmação é de aproximadamente 98%.
Obrigatoriedade de exame é suspensa
O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) do Rio Grande do Norte, Raimundo Alves Barrêto Júnior, esclarece que vai dialogar junto aos médicos vinculados à entidade sobre a doença no Estado. Há cerca de três semanas, aponta, o Conselho teve uma reunião com o Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Ambiental para discutir medidas com foco no reforço da fiscalização dos casos.
Aliado a isso, com a publicação da Portaria nº 593 pelo MAPA na última segunda-feira (3), a preocupação dos médicos veterinários em relação ao controle do mormo tem aumentado. O diretor do CRMV/RN esclarece que a norma suspende a obrigatoriedade dos exames de identificação do mormo tanto para o trânsito quanto para participação de animais em eventos como vaquejadas.
Ainda, de acordo com Raimundo Alves Barrêto Júnior, com a Portaria os veterinários só podem exigir o exame do mormo caso verifiquem animais com sinais críticos da doença em propriedades. Os criadores, contudo, podem recusar a realização do exame sem que ocorra quaisquer penalidades no que se refere ao trânsito do animal.
“[A portaria] Foi pressão dos criadores e produtores, do pessoal da equinocultura, com a preocupação financeira – porque esses exames só tem validade de 60 dias -, então tinha que fazer de cinco a seis vezes no ano. Outra coisa que eles levantam é a questão do falso positivo, [mas] todo tipo de exame por mais preciso que seja tem esse risco do animal”, complementa o diretor do CRMV/RN. O valor do exame custa em média de R$ 200 a R$ 300.
Antes da portaria, segundo Raimundo Alves Barrêto Júnior, mesmo os animais com falso positivo tinham que ser sacrificados. Embora o número desses exames seja baixo, alguns criadores de animais entravam na justiça para não perderem o animal. Agora, afirma o diretor, o CRMV/RN vai buscar aproximação com outros conselhos que estão inteirados da portaria do MAPA para buscar uma modificação ou revogação do texto.
Na última segunda-feira (3), dia de publicação da Portaria nº 593, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que a norma traz novas diretrizes gerais para prevenção, controle e erradicação do mormo dentro do Programa Nacional de Sanidade dos Equídeos (PNSE). Em paralelo, a pasta disse que está promovendo uma revisão das estratégias de vigilância epidemiológica e avaliando as ferramentas de diagnóstico disponíveis. A ideia é redesenhar o programa de controle e prevenção da doença com a participação de todas as partes interessadas.
“As alterações reduzem a ocorrência de falsos positivos no protocolo de diagnóstico dentro do contexto epidemiológico em que os testes são aplicados, sem que haja a ampliação do risco de disseminação para outros animais ou para os humanos”, ressaltou Fernando Ferreira, professor da USP e coordenador-geral de Prevenção e Vigilância em Saúde Animal.
Número – 9 municípios tiveram propriedades interditadas: São José de Mipibu, Pedro Velho, Extremoz, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Ceará-Mirim, São Paulo do Potengi, João Câmara e Vera Cruz.
Tribuna do Norte


