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Ex-prefeito Allyson Bezerra é apontado em escutas da PF como peça-chave de esquema investigado pela Operação Mederi

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O ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), aparece no centro das investigações da Operação Mederi, deflagrada pela Polícia Federal para apurar supostas irregularidades em contratos públicos de fornecimento de medicamentos no Rio Grande do Norte.

De acordo com transcrições anexadas aos autos da investigação, sócios da distribuidora Dismed apontam a Prefeitura de Mossoró como principal sustentação financeira da empresa no Estado.

As conversas interceptadas pela PF ocorreram em maio de 2025 e revelam discussões sobre volume de compras, contratos públicos e impacto financeiro das negociações firmadas com o município.
Em um dos diálogos destacados pela investigação, um dos interlocutores afirma que “sem Mossoró não teria volume”, sugerindo que os contratos mantidos durante a gestão Allyson Bezerra seriam fundamentais para a operação da empresa e para sua competitividade em licitações realizadas em outras cidades potiguares.

As interceptações também mencionam que o alto volume de compras realizadas pela Prefeitura de Mossoró teria influência direta na formação de preços da distribuidora, fortalecendo sua atuação no mercado de contratos públicos.

Segundo dados reunidos pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN), Mossoró teria repassado aproximadamente R$ 13,5 milhões à Dismed entre 2021 e 2025.

Conforme a perícia citada no processo, o montante representa cerca de 59% de todos os pagamentos identificados pela investigação envolvendo seis municípios do Rio Grande do Norte.

Os relatórios da Operação Mederi ainda apontam forte concentração contratual envolvendo a administração mossoroense. Em parte do período investigado, os contratos da Prefeitura de Mossoró teriam superado, sozinhos, a soma de contratos relevantes da empresa com outros municípios analisados pela investigação.

Outro dado considerado relevante pela Polícia Federal é o crescimento dos pagamentos em 2024, quando os contratos entre Mossoró e a distribuidora teriam alcançado cerca de R$ 5,86 milhões em apenas um ano.

A Operação Mederi investiga possíveis fraudes, direcionamento de licitações e irregularidades em contratos públicos ligados ao fornecimento de medicamentos. As apurações têm como base documentos, perícias técnicas e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

As defesas dos investigados negam qualquer irregularidade e afirmam que os contratos seguiram os trâmites legais previstos na legislação. O caso segue sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

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