Notas

Exploração de minério de ferro em Jucurutu parou

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A All Ore Mineração – novo nome da empresa Steel do Brasil, constituída por um grupo alemão – anunciou que rescindiu os contratos para a aquisição de participação acionária na Mineradora Mhag, instalada no Rio Grande do Norte. O acordo para fechamento de negócio entre as partes, pelo valor de US$ 245 milhões (o equivalente a R$ 389,3 milhões, considerando a cotação do dólar a R$ 1,5890, ontem) foi divulgado em março do ano passado. A aquisição não chegou, porém, a ser concretizada, diz o presidente da Mhag, Pio Sacchi (na foto).

“A Steel não entrou na Mhag e nada muda na empresa pelo fato de ter desistido de fazer isso”, observa ele, nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE. A All Ore Mineração chegou a anunciar a celebração dos contratos para a aquisição de, no mínimo, 70% da Mhag Serviços e Mineração e que as jazidas da mineradora potiguar têm potencial para conter 3,5 bilhões de toneladas de minério de ferro – 400 milhões já confirmados. A empresa foi procurada para comentar o assunto, mas não respondeu ao pedido de entrevista. Até a tarde de ontem, havia se pronunciado apenas por meio de fato relevante divulgado no site, em que atribui a desistência à “não implementação de condições suspensivas pela parte vendedora”. Pio Sacchi, por sua vez, diz não entender o que levou a potencial sócia a desistir do negócio.

Quando a Mhag soube da decisão da Steel (All Ore Mineração)?

Nós fomos comunicados ontem sobre a decisão da empresa (quarta-feira), mas de antemão podemos dizer que cumprimos todos os pontos do contrato. Não entendo a razão da decisão, mas ela também não influencia em nada a vida da Mhag. A empresa continua trabalhando em seus projetos, continua trabalhando normalmente. Isso (a desistência do negócio), não afeta em nada o funcionamento da empresa. A única coisa que eu posso dizer é que os dados contratuais foram cumpridos. Agora, não sei o motivo da desistência. Isso aí teria que ver. O pessoal agora está dando uma analisada. Eu não saberia te informar mais nada. Vai ter uma reunião do conselho (o conselho deliberativo da Mhag) para fazer uma avaliação. Eles vão sentar para verificar isso na próxima semana. Será convocada uma reunião. A reunião deve acontecer em São Paulo.  Mas eles têm que convocar. 

No ano passado, em março, quando foi anunciado o negócio, a expectativa era que, sob o comando da até então chamada Steel, a Mhag acelerasse o andamento dos projetos que vinha desenvolvendo ou que tinha em mente para o Estado, entre eles a exploração da mina do Bonito, em Jucurutu, além da construção de um porto na região de Porto do Mangue e de um mineroduto, para escoamento do minério de ferro na região do Seridó. O que o senhor poderia dizer sobre esses projetos? De alguma maneira são afetados?

Acredito que não, porque continuamos com tudo normal aqui. A vida continua normal. A finalização dos projetos, tudo continua andando normalmente.

Os projetos serão tocados com ou sem a Steel…

Não muda nada.

A Mhag chegou a firmar sociedade com essa empresa?

Não. Nós não tínhamos sociedade. Nós tínhamos uma proposta da Steel para entrar na sociedade.

O negócio então não tinha sido concluído?

Não, não, não. Havia a proposta da Steel para entrar na sociedade. Eles propuseram a compra de um determinado percentual da empresa, que não ficou definido. O negócio não foi concretizado.

Quando começaram a negociar a possível entrada da Steel?

No ano passado, quando foi feita a divulgação.

Por que demorou tanto para que houvesse um desfecho na negociação?

Porque são negociações internacionais. Nada é rápido. Não é um grupo nacional que você chega, senta, faz um contrato e está resolvido.

Qual era a expectativa com a  chegada dessa empresa? O que ela agregaria ao negócio?

A partir do momento da entrada deles, se agregaria valor dentro do processo da Mhag.

De que maneira? Aporte de recursos, mais experiência, tecnologia… em que sentido?

Em termos financeiros. A empresa teria mais um sócio que poderia alavancar. Mas hoje se comprova no mercado que estamos andando independente deles. Não temos dependência deles na busca dos recursos.

Atualmente o que é a Mhag? Qual o tamanho da empresa? Quantos funcionários? Qual é a produção?

Demos uma parada na atividade mineral para reformulação dos projetos.

Há quanto tempo está parada?

Há cerca de dois anos. Foi parada para reformulação de projetos, compra de equipamentos. Foram comprados cerca de 60% dos equipamentos para fazermos uma nova planta de concentração (Unidade que permitiria aumentar a concentração do minério de ferro produzido, que no estado é considerado de baixo teor, em torno de 34% e 35%. Diante disso, é preciso então concentrar o minério até um teor de 66% a 67%)

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