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Empresa ligada a investigado por corrupção é contratada pelo governo Lula para obra em presídio do RN

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Na obra que tem como objetivo reforçar a segurança do presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, o Ministério da Justiça firmou um contrato de quase R$ 30 milhões com a Konpax Construções, uma companhia associada a um diretor que já foi alvo de investigações por corrupção.

A construção do muro externo foi anunciada como prioridade pelo ministro Ricardo Lewandowski após a fuga inédita de dois detentos de alta periculosidade ocorrida em fevereiro de 2024, episódio que desencadeou uma operação de busca de 45 dias.

Apesar de a empresa ter sido escolhida por apresentar a proposta mais barata em uma concorrência com 18 participantes, documentos internos do Ministério da Justiça mostram que o executivo Charlys Cunha de Farias Oliveira, ex-sócio e atual diretor, continua atuando diretamente no negócio, aparecendo como representante da empreiteira em reuniões, e-mails e tratativas sobre o contrato.

Ele havia saído formalmente do quadro societário, que passou a ser assumido por sua irmã, Bárbara Cunha de Farias Oliveira. A Senappen, responsável pela contratação, afirmou não ter conhecimento de investigações contra o empresário e garantiu que todo o processo ocorreu conforme a legislação.

A Konpax declarou que Charlys Oliveira responde às questões judiciais por meio de sua defesa e que a empresa não é alvo de qualquer ação.

Investigações, cheques milionários e suspeitas financeiras

A ligação de Charlys Oliveira com casos de suspeita criminal remonta ao ano de 2019, período em que o Coaf identificou movimentações atípicas de R$ 3 milhões feitas pelo executivo, valores incompatíveis com sua renda declarada.

Em setembro de 2020 ele foi preso em Fortaleza após tentar trocar um cheque de R$ 49 milhões que, segundo o Ministério Público do Ceará, estava vinculado a um contrato fraudulento da Konpax com uma empresa de informática. O gerente do banco acionou a polícia após desconfiar da operação. O empresário permaneceu 32 dias preso na unidade de Aquiraz e foi liberado após sua defesa alegar que ele possuía emprego fixo e residência estável.

Desde então, responde a processos por fraude, associação criminosa e falsidade ideológica. Em 2022, um relatório do Coaf motivou a abertura de uma investigação da Polícia Federal, que acionou a CGU para verificar possíveis vínculos entre as movimentações financeiras do empresário e contratos públicos de suas companhias.

A CGU identificou que duas das empresas do executivo haviam acumulado R$ 25 milhões em contratos de coleta de lixo em municípios do interior do Ceará desde 2014. Como não havia vínculos com verbas federais, as apurações foram encaminhadas às autoridades estaduais.

Em consequência disso, a Polícia Civil do Ceará abriu inquérito em abril do ano passado, três meses antes do início da licitação para a obra do muro de Mossoró.

Muro atrasado, aditivos e reuniões reservadas

Em Mossoró, o contrato prevê a construção de 800 metros de barreira de proteção, mas o andamento da obra está muito abaixo do previsto, com menos de 10% concluídos, apesar do cronograma estimar 59% de execução até novembro.

Mesmo sem compor mais o quadro societário, Charlys Oliveira participou ativamente de reuniões sobre o avanço da obra, incluindo uma visita à Senappen em Brasília em abril, quando discutiu dificuldades técnicas relativas à construção de uma casa de força. A obra recebeu recentemente um aditivo de R$ 400 mil com o objetivo de acelerar o cronograma.

Por BNews Natal

1 comentário em "Empresa ligada a investigado por corrupção é contratada pelo governo Lula para obra em presídio do RN"

    PALADINO
    04/12/2025 às 20:17

    Pode aguardar….
    Fugas à vista!!!!

    908354

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