Em mobilização política em Caicó o ex-deputado estadual Dadá Costa resolveu disparar contra o próprio irmão Bibi Costa e também contra o candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias. Só que, quando Dadá parte para esse tipo de julgamento político e moral, inevitavelmente seu próprio passado volta ao debate.
Em discurso, Dadá foi duríssimo com Bibi. Disse que o irmão não tem possibilidade de se eleger deputado estadual e chegou a afirmar que votar nele seria “jogar fora na lata do lixo o voto”. Bibi, entretanto, está em plena campanha e caberá ao eleitor decidir nas urnas se Dadá tem ou não razão. Bibi aparece bem nas pesquisas.
Dadá também atacou Álvaro Dias, acusando-o de ter abandonado Caicó. É aí que a crítica encontra uma enorme contradição. Álvaro é caicoense, construiu parte importante de sua trajetória política no município e exerceu mandatos de deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa, deputado federal e prefeito de Natal. Hoje disputa o Governo do Estado.
Antes de tentar desqualificar Álvaro, Dadá precisa conviver com um episódio muito mais pesado de sua própria trajetória: a Operação Gafanhoto.
Dadá Costa foi condenado em primeira instância a 11 anos, cinco meses e 18 dias de prisão no processo relacionado ao esquema dos chamados “gafanhotos”. Em 2017, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do RN rejeitou recursos relacionados ao caso; a investigação tratava da concessão irregular de gratificações em nome de funcionários fantasmas.
Há ainda registros jornalísticos da época afirmando que Dadá chegou a utilizar tornozeleira eletrônica em decorrência de sua situação judicial.
Por isso, a fala de Dadá provocou reação. É legítimo discordar de Álvaro, de Bibi ou de qualquer outro candidato. Mas querer assumir a condição de juiz da trajetória política dos outros é mais complicado para quem carrega no próprio currículo um episódio judicial dessa dimensão.
E existe ainda a questão familiar. Dadá agora praticamente sentencia a derrota de Bibi, seu próprio irmão, enquanto a história política da família Costa já foi marcada por divergências e rompimentos entre seus integrantes. Ele próprio foi contra o irmão e deputado estadual Vivaldo Costa.
Dadá pode fazer política, escolher candidatos e criticar adversários. É direito dele. O que fica difícil é reivindicar superioridade moral para atacar Álvaro Dias ou decretar que o voto em Bibi vai para a “lata do lixo”.
Quando Dadá aponta o dedo, a Operação Gafanhoto volta imediatamente para a conversa.





Olha o gafanhoto falante. Não manda nem no voto da mulher. Ah coital