Notas

Da artilharia pesada ao escudo protetor: o que explica a mudança da mídia em favor de Allyson Bezerra

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Até ontem, parte da mídia tratava o prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado, Allyson Bezerra, como alvo preferencial. As críticas eram duras, diárias e sem economia de adjetivos, sobretudo após a operação da Polícia Federal que colocou seu nome no centro de um escândalo de repercussão nacional.

De uma hora para outra, porém, o tom mudou. As manchetes ficaram mais suaves, os comentários ganharam verniz de compreensão e, em alguns casos, a crítica deu lugar a uma defesa ostensiva. O que antes era escândalo virou “narrativa”, e o que era cobrança passou a ser relativizado com impressionante rapidez.

A pergunta que ecoa nos bastidores é inevitável: o que aconteceu para tamanha guinada? Teria surgido algum fato novo de grande relevância que escapou ao público? Ou a mudança de discurso não tem nada a ver com jornalismo, mas com conveniências menos republicanas?

Nos corredores políticos, cochicha-se que algum “mimo” pode ter chegado no endereço certo. Publicidade reforçada, promessas futuras ou agrados de outra natureza costumam ter um efeito quase mágico sobre consciências seletivas. Não seria a primeira vez — nem será a última — que o silêncio ou a defesa apaixonada têm preço.

Ao leitor cabe observar, comparar e tirar suas próprias conclusões. Já à mídia, resta decidir se seguirá informando com independência ou se continuará dançando conforme a melhor música.

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