Mesmo diante de constantes reclamações sobre a falta de medicamentos em Ouro Branco (RN), dados recentes chamam atenção para o alto volume de recursos públicos destinados à área da saúde.
De acordo com informações referentes ao período entre abril de 2025 e abril de 2026, a Prefeitura Municipal de Ouro Branco já empenhou mais de R$ 1 milhão em despesas com medicamentos e insumos hospitalares. No detalhamento dos valores, foram destinados R$ 286.970,42 para a Farmácia Básica e R$ 851.671,40 para insumos hospitalares, totalizando R$ 1.138.641,82.

Os números revelam que, apenas com insumos hospitalares, o município tem registrado gastos superiores a R$ 100 mil por mês, conforme apontam as notas de empenho analisadas.
Apesar disso, a realidade enfrentada pela população parece destoar dos valores investidos. Nas redes sociais e em conversas nas ruas, moradores relatam a ausência de medicamentos considerados essenciais, como analgésicos, antibióticos e outros itens básicos da atenção primária.
Diante desse cenário, começam a surgir suspeitas e questionamentos sobre o que, de fato, estaria acontecendo com os recursos públicos destinados à compra desses medicamentos e insumos. A principal dúvida levantada pela população é: por que, mesmo com valores tão expressivos já pagos e empenhados, os remédios não chegam de forma regular a quem precisa?
Outro ponto que tem gerado forte questionamento é a *falta de prestação de contas por parte da gestão da saúde. Até o momento, **nem a Secretaria Municipal de Saúde apresentou esclarecimentos formais à Câmara de Vereadores, nem o Conselho Municipal de Saúde prestou as devidas informações*, o que amplia a preocupação e reforça a cobrança por transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos.
A falta de transparência percebida pela população reforça a necessidade de uma apuração mais rigorosa por parte dos órgãos de controle, como o Ministério Público do Rio Grande do Norte, para garantir que os recursos públicos estejam sendo aplicados corretamente e que o acesso aos medicamentos seja efetivamente assegurado.
A reportagem deixa espaço aberto para que a Prefeitura de Ouro Branco se manifeste sobre os dados apresentados e esclareça os motivos da possível inconsistência entre os valores empenhados e a disponibilidade de medicamentos nas unidades de saúde do município.




