As capas pretas balouçantes que ornamentam as costas dos senhores e senhoras, com seus ares vetustos, de “notório saber jurídico”, deveriam ser um símbolo da sobriedade, do comedimento e do equilíbrio. Afinal, a Justiça é uma senhora de olhos vendados que carrega nas mãos uma balança. Ou seja: julga sem olhar a quem, sempre usando os mesmos pesos e medidas.
Há algum tempo, porém, os ares do Supremo Tribunal Federal vêm perdendo essa sobriedade e aquele palco quadrado no qual os onze ministros ficam sentados ao centro vai ganhando mesmo, na melhor das hipóteses, um aspecto de teatro de arena. Na pior das hipóteses, de reles programa de auditório mesmo.
A querela entre o ministro Gilmar Mendes e o Ministério Público é o ápice desse momento. Um verdadeiro barraco de toga. É duríssima a carta que a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) encaminhou aos ministros do Supremo pedindo a eles que contenham os modos do douto colega especialista em direito germânico. A querela segue no português escorreito que os tribunais professam. Traduzido, no entanto, o conteúdo pode ser encontrado em qualquer torcida organizada pelos estádios do país.
