- Após promessas de fidelidade e cargos indicados, vereador trai Walter Alves e se alinha a outro candidato
Como já se acostumou a pular de galho em galho, passando por legendas, líderes e promessas que mudam conforme o vento, o vereador Artur Maynard foi literalmente dispensado do MDB. Não vai assumir mais o diretório municipal da legenda como antes fora combinado.
Ele deve permanecer, ao menos por enquanto, no PSDB, sigla pela qual foi eleito. Mas o episódio deixou marcas profundas na relação com o MDB, partido ao qual fez juras públicas de fidelidade e de onde colheu frutos políticos.
Nos bastidores, a avaliação é de que houve traição. E das grandes. Artur teria prometido lealdade à legenda e à liderança estadual comandada pelo vice-governador Walter Alves, que também é candidato a deputado estadual. Além disso, beneficiou-se politicamente da estrutura partidária, inclusive com indicação para a direção da CAERN em Caicó — cargo que o MDB agora espera que ele entregue.
O rompimento ganhou contornos ainda mais explícitos quando Artur passou a se alinhar ao deputado estadual Neilton Diógenes, movimento interpretado como abandono definitivo do grupo anterior.
Na leitura de aliados e ex-aliados, Artur vai sobrevivendo politicamente de quem lhe oferecer mais afago, mais espaço e melhores condições. O passe é tratado como alto — comparável, ironicamente, ao de craque em mercado de transferência.
Na política, fidelidade é ativo raro. E, no caso de Artur, parece estar sempre em negociação.

