
A política do Rio Grande do Norte segue dando provas de que coerência é, muitas vezes, artigo de luxo. O senador Styvenson Valentim, que adora se autoproclamar como o mais honesto, incorruptível e independente político do estado, parece ter deixado seus próprios princípios no armário em nome da conveniência eleitoral.
Em 2021, Styvenson foi um dos que mais atacaram publicamente o hoje aliado e também senador Rogério Marinho (PL), quando este ocupava o cargo de ministro do Desenvolvimento Regional no governo Jair Bolsonaro. À época, Valentim inquiriu Marinho na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado sobre suspeitas do uso de verbas do chamado orçamento secreto para beneficiar ele próprio e aliados. As acusações foram diretas, com direito a insinuações de corrupção que hoje são simplesmente esquecidas.
O mais curioso é que Styvenson também já afirmou — de forma inverídica — que constrói hospitais, mesmo sem jamais ter destinado emendas para esse fim. E agora, como se nada tivesse acontecido, caminha de mãos dadas com o mesmo Marinho que tanto questionou. A aliança entre os dois, em nome da eleição de 2026, mostra que quando o assunto é poder, até os discursos mais duros podem virar poeira.
A falta de pudor político de Styvenson Valentim se escancara: quem ontem era suspeito, hoje é parceiro. E a imagem de incorruptível vai ficando cada vez mais desgastada diante de tantos acertos nos bastidores. Porque, no fim das contas, o que vale mesmo é se dar bem.



