Do G1 – O cenário é paradisíaco, de cinema: sol na maior parte dos dias, areia branca, mar de águas mornas e cristalinas, ventos constantes e, principalmente, harmonia total com os animais. Isso tudo faz qualquer pessoa desejar passar temporadas no Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte. Mas esse paraíso só pode ser usufruído por poucas e selecionadas pessoas: cientistas que pesquisam a vida marinha na costa e nas ilhas oceânicas brasileiras.
Ao mesmo tempo que é convidativo, o Atol é inóspito. Os mais de 5 quilômetros quadrados existentes na maré seca, em poucas horas, quando a maré enche, resumem-se a apenas duas pequenas ilhas. E o pior: não há fontes de água potável.
Por esse motivo, o acesso à reserva biológica, que é administrada pelo Ministério do Meio Ambiente, é restrito e controlado. Somente pesquisadores vinculados a alguma universidade e centros de pesquisa podem realizar estudos sobre a vida marinha no local.
Maurizélia Brito está na reserva há 24 anos e é chefe do Atol há 20 anos Ela conta que antigamente os pesquisadores enfrentavam mais dificuldades. “Quando comecei a trabalhar no Atol, havia apenas barracas destinadas aos pesquisadores e a comunicação com o continente era feita apenas via rádio. Já cheguei a passar 72 dias seguidos aqui no Atol com um colaborador porque não havia ninguém que nos substituísse.”
As antigas barracas foram substituídas em 1994 por uma casa pequena. Em 2008, através de uma parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, foi erguida uma casa de madeira na ilha do Farol, a única com construções feitas por homens no Atol. Essa casa é dividida em duas partes: uma é destinada a armazenar equipamentos dos pesquisadores; outra é onde ficam os três alojamentos, uma copa e uma pequena cozinha.
Não há pias ou sanitários na casa. “Para lavar a louça, primeiro esfregamos a areia do Atol nos copos, pratos, talheres e panelas e, em seguida, enxaguamos com a água do mar. Para escovar os dentes, pegamos um pouco de água potável apenas para limpar a boca. E temos dois ‘banheiros’ no Atol, que ficam nas extremidades da ilha do Farol. Para ter privacidade, o pesquisador avisa aos demais que vai ao ‘banheiro’, que nada mais é que a própria praia”, explicou Maurizélia.
A casa também tem energia, que é gerada por uma placa solar. Essa energia é usada para manter ligadas duas geladeiras repletas de mantimentos, para possibilitar que haja luzes na casa e ainda para carregar notebooks e celulares dos pesquisadores. Não há televisão no Atol. “Hoje a comunicação é facilitada pela internet, que fica disponível 24 horas para os cientistas. Eles passam os 20 ou 30 dias das expedições longe de casa, mas pelo menos têm contato diariamente com familiares e amigos.”
Os cuidados para evitar acidentes também são constantes. “Não há helicópteros com autonomia de combustível para fazer um resgate aqui no Atol. Qualquer resgate médico só é possível ser feito 24 horas após. Por isso sempre tem uma pessoa da minha confiança e conhecedora dos riscos e limites do Atol para que tudo aconteça a contento”, afirma a chefe da reserva.






