
A primeira pergunta da juíza, presidente do processo, foi questionar a veracidade da acusação de que Carlos Faria teria operacionalizado o Foliaduto. O réu negou e disse que não sabia o por quê de ter sido acusado. “Existe o mundo da ilegalidade e outro mundo da legalidade. Havia só um ordenador de despesa que era eu e meu substituto, Carlos Castim. Os processos que chegavam para despesa eram protocolados e ficavam com minha chefe de gabinete”, disse o ex-secretário chefe da Casa Civil.
O interrogatório de Carlos Faria, o último da fase de depoimentos do processo do Foliaduto, durou uma hora e 20 minutos. O réu amparou toda sua defesa na negativa de que tenha feito qualquer ordenação de despesa para os processos de contratação de bandas feitos pela Fundação José Augusto.
Já o Ministério Público dirigiu as perguntas para questionar a ligação de Carlos Faria com Ítalo Gurgel. Os promotores Emanuel Dahyan e Eudo Leite perguntaram ao irmão da ex-governadora Wilma de Faria sobre os despachos que ele proferiu nos pedidos de recursos para festas das prefeituras. Nos documentos Carlos Faria apenas escrevia “autorizo”. O médico explicou que o “autorizo” era para dar início ao trâmite do processo no Governo, no entanto, “não significava que era a autorização para a liberação dos recursos”.
“Eu autorizava que os processos fossem para a Fundação José Augusto e lá fossem analisados”, disse Carlos Faria. “Era um encaminhamento para a Fundação avaliar a possibilidade de atender”, completou.
Faria negou que tenha feito qualquer ordenação de despesas para convênios de prefeituras pela Fundação José Augusto. Ele disse que recebia os pedidos no Gabinete Civil e “alguns negava, outros não”, para esses últimos ele iniciava o trâmite burocrático.
No entanto, Carlos Faria confirmou que chegou a enviar pedido de prefeituras para a Fundação José Augusto. “Se era atividade cultural ou interesse turístico do Estado, eu enviava para a Fundação porque era interesse do Estado. O Gabinete Civil não faz convênio com Prefeitura e eu encaminhava para Fundação analisar”, disse.
Outro questionamento do Ministério Público foi sobre a relação e subordinação de Ítalo Gurgel, que era lotado no Gabinete Civil, com o então secretário Carlos Faria. O irmão da ex-governadora Wilma de Faria disse que a indicação de Gurgel para o Gabinete Civil foi da própria governadora, já que Ítalo havia sido assessor dela quando era prefeita de Natal.
Embora confirme que Ítalo Gurgel era subordinado a ele, Carlos Faria disse que não mantinha reuniões freqüentes com ele e ressaltou que também não poderia responder pelos atos do então subordinado.
“Tinha 300 pessoas subordinadas a mim”, disse Carlos Faria, para logo ressaltar: “As reuniões que eu tinha era com o setor administrativo e financeiro. Os contatos com Ítalo eram esporádicos”, destacou.
Da Tribuna do Norte



