A Operação Mederi não é um caso de uma cidade. Os documentos que o Blog do Dina leu — a representação criminal e a quebra de sigilo, milhares de páginas — espalham o esquema da DISMED por mais de 20 municípios do Rio Grande do Norte. Num dos áudios, um dos operadores resume sozinho o tamanho da coisa: “eu tenho umas 15 prefeituras”.
O que muda de cidade para cidade é o grau da prova. E é aí que mora o incômodo.
Em algumas, a Polícia Federal tem vídeo. Em outras, tem a voz dos próprios envolvidos, em escuta ambiental, detalhando o percentual da propina e o nome de quem recebia. Em outras, é o rastro do dinheiro: o relatório do Coaf e a quebra bancária mostrando repasses que não cabem no tamanho da cidade — município de cinco mil habitantes movimentando o que uma capital movimentaria.
E há, por fim, as que por enquanto são só um nome citado de passagem — o tipo de menção que, na experiência de quem acompanha operações assim, costuma abrir a fase seguinte.
São R$ 146 milhões rastreados. Uma empresa que cresceu 2.096% em cinco anos. Saques em espécie que passam de R$ 12 milhões.
Se a sua gestão comprou remédio dessa empresa, talvez a única pergunta que importe agora seja: em qual desses grupos ela está? Quem está nos áudios já sabe a resposta.
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