
O Dia Mundial da Hipertensão, lembrado neste domingo (17), chama atenção para uma doença considerada silenciosa, mas que pode provocar graves complicações cardiovasculares.
Além disso, especialistas alertam para o crescimento dos casos entre adolescentes e jovens adultos, faixa etária em que a condição antes era menos frequente.
Um estudo da National Health and Nutrition Examination Survey apontou que 7,3% dos norte-americanos entre 18 e 39 anos já convivem com a hipertensão. Outros 26,9% apresentam pressão arterial elevada. No Brasil, a condição já afeta um em cada quatro adultos.
Doença costuma ser silenciosa
O cardiologista Felipe Malafaia, coordenador de cardiologia da Rede Total Care, explicou à CNN Brasil que a hipertensão normalmente não apresenta sintomas claros. Segundo o especialista, quando aparecem, os sinais costumam ser inespecíficos.
“Os sintomas da hipertensão geralmente são inexistentes na maior parte dos casos. Quando aparecem, costumam ser inespecíficos, como sensação de peso na cabeça, cefaleia leve e episódios de vertigem”, afirmou.
Além disso, o médico destacou que esses sintomas também podem estar ligados a outras condições clínicas.
Sedentarismo e má alimentação aumentam risco
Felipe Malafaia explicou que o avanço da hipertensão entre jovens está diretamente relacionado às mudanças no estilo de vida.
Segundo ele, o aumento do sedentarismo, da obesidade e do consumo de alimentos ultraprocessados tem contribuído para o crescimento dos casos.
“O aumento dos casos de hipertensão entre jovens reflete diretamente as mudanças no estilo de vida observadas nos últimos anos”, declarou.
O especialista ressaltou ainda que muitos produtos industrializados possuem altos níveis de sódio, fator associado ao aumento da pressão arterial.
Casos em jovens exigem investigação
O cardiologista explicou que, em adolescentes e jovens, é importante descartar causas chamadas de hipertensão secundária.
Esses casos podem estar relacionados a alterações hormonais ou vasculares e exigem avaliação médica especializada.
Por outro lado, nos quadros de hipertensão primária, mudanças no estilo de vida podem ajudar no controle e até na reversão da doença.
Obesidade tem relação direta com hipertensão
Segundo Malafaia, a relação entre obesidade e hipertensão é bem estabelecida pela medicina.
O especialista afirmou que, em geral, quanto maior o Índice de Massa Corporal (IMC), maior a tendência de desenvolver pressão alta.
Além disso, estudos indicam que a perda de peso pode reduzir significativamente a pressão arterial.
“Estudos mostram que a perda de peso pode ter impacto significativo no controle da pressão arterial, com redução média de até 8 mmHg a cada 10 quilos perdidos”, explicou.
Histórico familiar também influencia
O médico destacou ainda que fatores genéticos podem aumentar o risco de hipertensão.
Mesmo assim, ele reforçou que hábitos saudáveis ajudam a reduzir as chances de desenvolvimento da doença.
Segundo Malafaia, combater o sedentarismo, melhorar a alimentação, controlar o estresse e manter o peso adequado são medidas fundamentais para prevenção cardiovascular.
Como identificar a hipertensão
Especialistas recomendam acompanhamento médico regular e monitoramento da saúde cardiovascular. Entre os principais exames e avaliações estão:
- Aferição regular da pressão arterial
- Avaliação de colesterol e triglicérides
- Glicemia em jejum
- Índice de massa corporal e circunferência abdominal
- Análise de hábitos de vida, como sono, alimentação e atividade física
- Eletrocardiograma, quando indicado pelo médico



