Estranhamente, a mídia norte-rio-grandense tem aberto pouco espaço para uma ofensiva que o ministério público estadual iniciou recentemente contra um dos piores vícios a que se dedicam muitas autoridades e servidores governamentais. Trata-se da famosa “carteirada”, o uso da identificação funcional como gazua para abrir portas, notadamente de espaços de entretenimento e lazer.
Dois promotores, um em Natal e outro em Mossoró, insurgiram-se na semana passada contra esta atitude, combatendo o que definem como “passe-autoridade”, o acesso gratuito, ilegal, em festas e eventos que ancestralmente vem sendo concedido a quem se apresenta como autoridade, muitas vezes apelando grosseiramente para a célebre pergunta: “Sabe quem eu sou?”
É uma prática que remonta ao tempo do descobrimento e vem se aprimorando na medida em que a sociedade expressa qualquer tentativa de se organizar em sua defesa. Décadas atrás, muita gente lisa que se esgueirava na chamada “alta sociedade” natalense disputava carteiras de “comissário do Juizado de Menores” só para entrar de graça em cinemas, teatro e outras casas de espetáculo.
Hoje, o passe-autoridade garante até transporte gratuito a soldados a pretexto de garantirem a segurança em ônibus assaltados cotidianamente.
Segundo os agentes do “parquet” estadual, não há o menor embasamento legal nesse hábito, que infelizmente também contaminou jornalistas e pseudo-comunicadores. Conheço muita gente que tem carteira de jornais e associações de profissionais apenas para usarem o benefício. Eles se chocam quando mencionam o propósito de usufruir desses documentos como chaves e me ouvem dizer que pago pela diversão que procuro, porque a isenção profissional me exige isto.
No caso, a ética profissional me exige isso.
Se fosse a um cinema em missão profissional encomendada por algum órgão da imprensa, este pagaria meu ingresso. Se vou porque quero, pago-o como cidadão, se bem que sem abrir mão do direito e dever profissional de criticá-lo onde mantiver contato com consumidores do produto final do meu trabalho.
Por Roberto Guedes (na foto)



Esse promotores deveriam procurar algo mais importante pra fazer. Falo isso, pq eles proprio dão carteirada…duvido que algum deles nunca tenham usado do seu poder para adentrar numa festa ou algo do tipo…ou seja, eles dão carteirada da mesma forma. Acabar com a ‘carteirada’ é só o que os bandidos querem. O que deve ser feito, é investigar os más policiais que usam abusivamente a carteira funcional.
Abraço Xerife.
Mais imbecil de que quem dá carteirada só quem aceita!
Pelo o que seu , não sei se tou errado se tiver me corrijam , as “carteiradas ” dadas são asseguradas por lei estadual …
xerife vc q é promotor de eventos devia adotar essas medidas em suas festas e mais ainda proibir a entrada de policiais armados ,pq em caicó é facíl v isso só os donos de festas q não v.
Qualquer agente público seja ele eleito, concursado, indicado etc, está ocupando seu posto para servir aos interesses do povo. Assim, seus atos obrigatoriamente deverão ter como finalidade o interesse público, e não próprio ou de um conjunto pequeno de pessoas amigas. Ou seja, deve ser impessoal. Se algum promotor de algum evento, achar por bem que pessoas; sejam autoridades ou não, participem do mesmo, como forma de acrescentar algo ao evento, ou mesmo por amizade, pode agraciar estas pessoas através de convites. Em caso contrario, qualquer servidor que usa de suas prerrogativas, especialmente funcionais, para lograr proveito pessoal tem e deve ser preso. Não é servidor público e sim criminoso. Temos urgentemente que mudar esta idéia e este conceito de que servidor público deve ter algum tipo de privilégio pessoal, infelizmente quem concede benesses a servidor público busca algum retorno, e o servidor sério não se submete a isso. Confundem-se muito as prerrogativas dos servidores públicos no exercício de suas funções com a vida pessoal dos mesmos.