A campanha de Allyson Bezerra (União Brasil) recorreu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) para questionar o formato editorial de uma publicação do Diário do RN. A Coligação Esperança e Trabalho busca, por meio de uma representação judicial, obrigar o veículo a alterar uma manchete de capa e estabelecer diretrizes para divulgações futuras de pesquisas eleitorais, sob pena de retirada do conteúdo.

A disputa gira em torno da edição de 10/09, que trouxe a manchete “Cadu cresce, ultrapassa Álvaro e encosta em Allyson”. A coligação alega que a capa deveria detalhar especificamente o cenário da pesquisa DataVero em que os percentuais foram obtidos — referente ao levantamento com apoio de figuras políticas —, embora a própria petição reconheça que a reportagem completa trazia todos os dados técnicos, metodologia, registros e as explicações necessárias conforme exige a legislação.
O caso levanta um debate essencial sobre os limites da autonomia jornalística. A hierarquização de informações e a escolha de manchetes são prerrogativas da linha editorial dos veículos. Prática semelhante é adotada por grandes portais nacionais, que frequentemente destacam dados em chamadas de capa enquanto oferecem o contexto analítico e técnico detalhado no corpo dos textos.
A ofensiva judicial gera um contraste com o histórico recente do candidato. Em julho, ao enfrentar uma representação que pedia a retirada de seu perfil do Instagram, Allyson Bezerra classificou a medida como uma tentativa de “censura” e afirmou que buscavam “amordaçá-lo”. Agora, a coligação que sustenta sua candidatura ao Governo do RN adota um caminho similar ao solicitar a intervenção do Poder Judiciário sobre o conteúdo de um veículo de comunicação.
Caberá agora à Justiça Eleitoral analisar se os pedidos da coligação são juridicamente fundamentados. A decisão impacta diretamente o entendimento sobre o que constitui a liberdade de imprensa e o limite da atuação judicial diante de conteúdos jornalísticos cuja veracidade não é contestada.




