Desta vez, a tesoura alcança cerca de R$ 500 milhões. Somado ao bloqueio de R$ 306 milhões realizado em abril, o ajuste já ultrapassa R$ 800 milhões neste ano.
Do ponto de vista técnico, o argumento apresentado pela equipe econômica é conhecido: a arrecadação ficou abaixo do esperado e a legislação exige adequar as despesas à receita efetivamente disponível. Nada de extraordinário nisso.
O problema está em outro lugar.
Quando bloqueios dessa magnitude passam a se repetir em curto espaço de tempo, o governo precisa explicar à sociedade não apenas o tamanho dos cortes, mas também as razões da frustração de receitas e as perspectivas para os meses seguintes.
Até agora, as justificativas têm sido econômicas, mas superficiais. A falta de informações mais detalhadas abre espaço para especulações políticas em pleno ano eleitoral.
Não por acaso, os sucessivos contingenciamentos reacendem a discussão sobre a decisão do vice-governador Walter Alves de permanecer fora da sucessão estadual. Nos bastidores, aliados e adversários recordam a advertência atribuída ao vice de que haveria uma espécie de “bomba fiscal” prestes a explodir no colo de quem assumisse o governo.
Não há elementos públicos que confirmem essa tese. Mas a sequência de bloqueios orçamentários acaba alimentando a narrativa e reforçando a necessidade de explicações mais amplas por parte da administração estadual.
O fato concreto está posto: o governo está contingenciando despesas de forma recorrente, e a população tem o direito de conhecer, com transparência, a real dimensão do problema fiscal que motivou essas medidas.
Mais do que anunciar novos cortes, cabe à governadora Fátima Bezerra explicar por que eles estão se tornando tão frequentes.
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