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Alta explosiva: combustível para avião dobra de valor, ameaça voos regionais e pode afetar preço das passagens no Nordeste

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O forte aumento no preço do querosene de aviação (QAV) acendeu um alerta entre companhias aéreas brasileiras e já provoca impactos diretos na operação de voos pelo país.

O combustível mais que dobrou de preço desde fevereiro e passou a representar quase metade dos custos do setor aéreo.

Somente em maio, o impacto adicional para as empresas foi estimado em R$ 1,6 bilhão.

Diante da escalada dos preços, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) afirma que rotas regionais devem sofrer redução nos próximos meses, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

Companhias aéreas pressionam governo por medidas emergenciais

O presidente da Abear, Juliano Noman, defendeu nesta terça-feira (26) a criação de uma política gradual de preços para o combustível da aviação.

O pedido foi apresentado durante encontro com parlamentares da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), após sucessivos reajustes registrados desde o início da guerra no Irã.

Segundo o setor, o querosene de aviação já responde por 46% de todas as despesas operacionais das companhias aéreas brasileiras.

Mais de 2 mil voos já foram cancelados

Os efeitos da alta no combustível já aparecem na malha aérea nacional.

Dados da Anac apontam que 2.883 voos deixaram de ser realizados apenas em maio. Para junho, a expectativa é de mais de 3 mil cancelamentos adicionais.

A Abear alerta que a aviação regional será a mais afetada, já que opera rotas com menor fluxo de passageiros e menor capacidade de geração de receita.

Nordeste pode sentir impacto maior nas rotas

Durante o encontro com parlamentares, deputados relataram preocupação com o impacto econômico nas regiões mais dependentes da aviação regional.

O deputado Joaquim Passarinho afirmou que, em alguns casos, passagens entre estados da Região Norte e outras partes do Brasil já custam mais caro do que viagens internacionais.

Segundo ele, o turismo também pode ser prejudicado, especialmente com a chegada do período junino, quando cresce a demanda por deslocamentos no Nordeste.

Setor pede renovação de benefício tributário

Além de mudanças na política de preços do combustível, as companhias aéreas pedem a prorrogação da isenção de PIS/Cofins sobre passagens aéreas, prevista para terminar em 31 de maio.

Segundo representantes do setor, a medida perderá efeito antes mesmo de ajudar a compensar os impactos provocados pela disparada do QAV.

O deputado Cláudio Cajado criticou a demora do governo federal na tramitação das propostas voltadas ao setor aéreo.

De acordo com ele, parte das medidas anunciadas ainda não chegou às comissões da Câmara responsáveis pela discussão.

Governo prepara medidas para aliviar custos

Entre as ações previstas está o diferimento das tarifas aeroportuárias cobradas entre junho e agosto para o fim do ano, sem incidência de juros.

O setor aéreo também solicita flexibilização nas exigências de garantias para acesso a linhas emergenciais de crédito.

Especialistas avaliam que, sem medidas adicionais, o aumento do combustível pode pressionar ainda mais os preços das passagens e reduzir a oferta de voos em cidades médias e pequenas do país.

Guerra no Oriente Médio acelerou disparada do combustível da aviação

Representantes do setor aéreo afirmam que a forte alta no querosene de aviação ganhou intensidade após o início do conflito no Oriente Médio.

Dados apresentados pela Abear apontam que o litro do QAV saltou de R$ 3,30 para R$ 6,65 desde o fim de fevereiro.

Com isso, o combustível passou de cerca de 32% para 46% dos custos totais das companhias aéreas brasileiras, pressionando tarifas, reduzindo margens operacionais e provocando cortes na oferta de voos.

Durante audiência pública na Câmara dos Deputados, a Abear pediu a prorrogação da isenção de PIS/Cofins sobre o combustível da aviação até dezembro. O benefício, criado pelo governo federal em abril, termina em 31 de maio.

Segundo a Associação, a manutenção da medida é considerada essencial para aliviar o caixa das empresas em meio à escalada dos preços internacionais do petróleo e à valorização do dólar.

Norte e Nordeste devem concentrar cortes de voos

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) projeta redução média de 93 voos por dia em maio e de 121 voos diários em junho.

O maior impacto deve ocorrer em rotas regionais das regiões Norte e Nordeste, consideradas menos rentáveis pelas companhias aéreas.

Apesar disso, a Anac informou que, até o momento, nenhuma cidade perdeu totalmente conexão aérea desde o início da crise no combustível.

Petrobras e dólar influenciam preço do QAV

Embora o Brasil produza mais de 80% do querosene consumido internamente, a Petrobras utiliza o modelo de Preço de Paridade de Importação (PPI) como referência.

Na prática, isso faz com que fatores externos, como cotação internacional do petróleo e variação do dólar, continuem impactando diretamente o preço do combustível no mercado brasileiro.

Governo tenta reduzir impacto nas companhias

Além da isenção tributária temporária, o pacote emergencial anunciado pelo governo inclui:

• Adiamento de tarifas aeroportuárias para o fim do ano
• Linha emergencial de crédito do Banco do Brasil
• Nova linha de financiamento do BNDES prevista para agosto
• Discussões sobre flexibilização de garantias financeiras

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, as medidas ajudam no fluxo de caixa das empresas, mas não resolvem o nível de endividamento acumulado pelo setor desde a pandemia.

BNews Natal

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